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Feijão: proteja os grãos do mofo durante a armazenagem

A pós-colheita do feijão exige atenção desde a retirada das plantas do campo até a entrega do produto ao mercado ou à unidade de beneficiamento. Colheita, trilha, secagem e armazenagem inadequadas podem favorecer o surgimento de grãos mofados, reduzir a qualidade e comprometer o valor comercial da produção.

O mofo é resultado principalmente da ação de fungos em condições de umidade e temperatura favoráveis. Além de provocar desvalorização do produto, a deterioração pode envolver a formação de micotoxinas e comprometer a segurança alimentar e a aceitação comercial dos lotes.

Em praticamente todas as regiões produtoras de feijão no Brasil, o desafio é retirar os grãos do campo com umidade adequada, realizar uma secagem eficiente e manter condições de armazenamento que dificultem o desenvolvimento de fungos.

O problema começa ainda no campo. O ponto de colheita, o intervalo até a secagem e os cuidados durante a trilha interferem diretamente na qualidade que será mantida durante o armazenamento.

O feijão colhido com umidade muito elevada apresenta maior risco de aquecimento e desenvolvimento de fungos quando não é submetido rapidamente à secagem. Por outro lado, atrasar a colheita aumenta a exposição à chuva, à reumidificação, ao rebrote e aos danos mecânicos.

A secagem insuficiente também está entre as principais causas de deterioração. Quando o grão permanece com umidade acima do nível adequado para o período de estocagem, aumentam as condições para aquecimento da massa e desenvolvimento de fungos.

O processo precisa ser conduzido com equilíbrio. Secagens muito lentas em ambientes úmidos podem prolongar a permanência dos grãos em condições favoráveis aos fungos. Já temperaturas excessivamente elevadas podem provocar danos térmicos e fissuras.

Esses danos são importantes porque quebras, rachaduras e fissuras facilitam a penetração de fungos e aceleram a deterioração durante a armazenagem.

Na colheita mecanizada, equipamentos bem regulados ajudam a reduzir o percentual de grãos quebrados e descascados. Na trilha, ajustes de velocidade e do fluxo de entrada das plantas também contribuem para diminuir os danos.

A pré-limpeza é outro ponto importante. Palhas, pedaços de vagens, solo, pedras e plantas daninhas aumentam a umidade local, dificultam a circulação de ar e podem servir de substrato para fungos.

Retirar essas impurezas antes da secagem melhora a eficiência da operação e contribui para reduzir a formação de focos de mofo. A secagem é considerada uma das principais etapas para preservar a qualidade do feijão. Quanto mais rapidamente o produto atingir uma condição segura de armazenamento, menor tende a ser o período de exposição favorável à deterioração.

Na secagem natural, os grãos devem permanecer sobre superfícies limpas e impermeáveis, como terreiros cimentados, lonas ou estruturas apropriadas. O contato direto com o solo deve ser evitado para reduzir o risco de contaminação e absorção de umidade.

Os grãos devem ser espalhados em camada uniforme e relativamente fina, permitindo maior ventilação. Camadas muito espessas retêm umidade e favorecem a formação de pontos de mofo.

O revolvimento periódico durante o dia também ajuda a uniformizar a secagem e evitar o aquecimento localizado. Outro cuidado é proteger o produto contra chuva e orvalho. O feijão deve ser recolhido para uma área coberta ou protegido com lonas adequadas quando necessário, já que a reumidificação durante a noite favorece o desenvolvimento de fungos.

Na secagem artificial, é necessário utilizar equipamentos adequados para grãos pequenos, seguindo as recomendações do fabricante e da assistência técnica. A temperatura do ar precisa ser controlada para evitar danos térmicos, como redução da germinação, endurecimento dos grãos e formação de trincas. No caso de sementes, os cuidados precisam ser ainda maiores.

Durante o processo, a umidade dos grãos deve ser monitorada. A secagem deve ser interrompida quando for atingido o patamar adequado para o período de armazenagem pretendido. A homogeneidade do fluxo de grãos também é importante nos sistemas contínuos ou intermitentes. O objetivo é evitar que parte da massa fique excessivamente seca enquanto outra permaneça úmida.

Depois da secagem, o armazenamento precisa manter condições estáveis de umidade e temperatura. As boas práticas são importantes tanto para feijão acondicionado em sacarias quanto para o produto armazenado a granel. Antes de receber os grãos, o armazém deve ser completamente limpo. Resíduos de safras anteriores, poeira, grãos quebrados, cascas e sujeiras acumuladas em pisos, paredes, tetos e equipamentos podem funcionar como focos de fungos e insetos.

A estrutura também precisa ser inspecionada. Vazamentos no telhado, trincas, portas e janelas mal vedadas e pontos de infiltração devem ser corrigidos para impedir a entrada de água e umidade.

As sacarias devem ser mantidas sobre paletes ou estrados, nunca diretamente sobre o piso. Também é importante manter distância das paredes para permitir a circulação de ar e facilitar as inspeções. A ventilação e a aeração, quando disponíveis, ajudam a manter a temperatura da massa de grãos em condições mais seguras e reduzem pontos de condensação.

No armazenamento em sacarias, devem ser utilizadas embalagens limpas, secas e em boas condições. As pilhas precisam ser estáveis e contar com corredores de circulação entre elas e as paredes. Pilhas muito altas em armazéns quentes e sem aeração devem ser evitadas, pois a região central pode concentrar calor e umidade.

No armazenamento a granel, os grãos devem entrar no silo ou armazém com umidade adequada ao período previsto de estocagem. Sistemas de aeração podem ser utilizados para homogeneizar a temperatura e prevenir a migração de umidade e a formação de zonas de mofo.

O monitoramento periódico da massa também é necessário. Termômetros, sondas e avaliações de umidade em pontos representativos ajudam a identificar alterações antes que o problema se espalhe.

Os insetos de armazenamento também precisam ser controlados. Carunchos e traças, além de consumirem o produto, podem produzir calor e elevar a respiração da massa de grãos, criando condições favoráveis ao crescimento de fungos.

O manejo integrado dessas pragas deve combinar limpeza, vedação do armazém, uso de telas, monitoramento com armadilhas e, quando necessário, métodos químicos devidamente registrados e recomendados para o feijão. O uso de produtos não registrados ou fora das recomendações de rótulo e bula deve ser evitado. Além de ilegal, essa prática pode deixar resíduos não conformes e não resolve a causa principal do mofo quando ela está relacionada à umidade elevada.

Durante a armazenagem, as inspeções visuais devem ser realizadas periodicamente. Manchas esbranquiçadas, esverdeadas ou enegrecidas, odor de mofo, grãos colados e formação de crostas podem indicar deterioração. Pontos de aquecimento na massa também merecem atenção, pois podem indicar focos de fungos ou infestação de insetos.

Sempre que possível, amostras devem ser coletadas em diferentes pontos do lote para verificar a umidade, principalmente quando houver suspeita de reumidificação provocada por vazamentos ou condensação.

A rotação dos estoques também ajuda a evitar períodos de armazenagem desnecessariamente longos. A recomendação é utilizar a lógica de primeiro que entra, primeiro que sai. O impacto econômico do mofo pode ser significativo. Os fungos consomem matéria seca e podem reduzir o peso e o rendimento comercial dos grãos.

A descoloração e o aparecimento de manchas também reduzem o valor do produto. Em tipos de feijão nos quais a aparência influencia diretamente o preço, como carioca e preto, o impacto pode ser ainda mais relevante.

A deterioração também pode afetar o poder de cocção. Grãos comprometidos tendem a apresentar maior tempo de cozimento, endurecimento e alterações de sabor, prejudicando a aceitação pelo consumidor.

Outro ponto de atenção é o risco de micotoxinas. Alguns fungos podem produzir substâncias como aflatoxinas e ocratoxinas. Em níveis elevados, essas substâncias podem representar risco à saúde humana e animal e também contribuir para a rejeição de lotes pela indústria e por programas de compra institucional. Para produtores de sementes, os danos podem comprometer ainda a germinação, o vigor e a sanidade do material, afetando o desempenho das próximas lavouras.

A prevenção, portanto, precisa integrar campo e pós-colheita. Uma lavoura bem nutrida, com controle adequado de doenças de final de ciclo e manejo correto da irrigação, tende a produzir grãos mais sadios e com menor incidência de danos que facilitam a entrada de fungos.

A escolha de cultivares também pode contribuir. Quando houver disponibilidade, materiais com melhor sanidade de vagens e grãos e arquitetura que facilite a colheita podem reduzir a exposição do produto à umidade e aos patógenos no campo.

O planejamento da época de semeadura é outro componente do sistema. Organizar a implantação da lavoura para que a colheita ocorra em períodos com menor probabilidade de chuvas intensas facilita a secagem natural e reduz o risco de retirada de grãos com elevada umidade. Para ampliar a autonomia e a segurança da qualidade, a infraestrutura de pós-colheita também precisa ser considerada. Áreas de secagem, equipamentos de secagem artificial, estruturas de armazenagem e sistemas de limpeza e classificação são investimentos importantes para o produtor.

A segurança dos trabalhadores não pode ser deixada de lado. As operações de pós-colheita envolvem riscos relacionados à poeira, ao ruído, às partes móveis das máquinas e ao trabalho em altura em silos.

Equipamentos de proteção individual adequados devem ser utilizados conforme a atividade, incluindo máscaras contra poeira, óculos, luvas, protetores auriculares e calçados apropriados.

Secadores, elevadores, transportadores e demais equipamentos devem seguir as recomendações de uso e passar por manutenção preventiva. Além de reduzir acidentes, a manutenção ajuda a evitar falhas que possam comprometer a qualidade dos grãos.

Quando houver necessidade de defensivos agrícolas ou fumigantes em armazéns, é necessário seguir rigorosamente a legislação, o rótulo, a bula, o receituário agronômico e as normas de segurança, pois esses produtos exigem treinamento específico e procedimentos adequados de aplicação e reentrada.

O acompanhamento de engenheiros agrônomos e outros profissionais habilitados é recomendado para dimensionar estruturas, definir estratégias de secagem e armazenagem e orientar o manejo integrado de pragas. A principal estratégia para evitar grãos mofados no feijão é impedir que umidade, temperatura favorável e tempo de exposição criem condições para a multiplicação dos fungos.

Na prática, isso significa colher no momento adequado, reduzir o intervalo até a secagem, limpar os grãos, conduzir a secagem corretamente, preparar o armazém, controlar insetos e monitorar continuamente temperatura, umidade e aparência do produto. Com esses cuidados integrados, o produtor reduz as perdas de qualidade e aumenta as chances de preservar o valor comercial e a segurança do feijão durante todo o período de armazenagem.

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