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Colheita mecanizada: como evitar quebra e perda de grãos de feijão

A colheita mecanizada do feijão exige planejamento e regulagem precisa para reduzir perdas de grãos, quebras e danos à qualidade comercial. Em diferentes regiões produtoras e condições de clima e solo, o ponto de entrada da máquina, a uniformidade da lavoura e os ajustes da colhedora são determinantes para preservar o potencial produtivo construído ao longo do ciclo.

Ponto de colheita define o risco de perdas

O momento de entrada da colhedora deve equilibrar a necessidade de reduzir perdas por debulha natural e preservar a qualidade dos grãos. De forma geral, a recomendação é colher quando as plantas estão secas, com a maior parte das folhas já caída e as vagens em estágio final de secagem. Cerca de 80% a 90% das vagens devem estar maduras.

Vagens ainda muito verdes podem resultar em grãos com elevada umidade, dificultando a trilha e aumentando a necessidade de secagem. Por outro lado, atrasar demais a operação deixa os grãos mais quebradiços e eleva as perdas por abertura natural das vagens.

Em geral, produtores buscam colher com umidade dos grãos entre 18% e 22%, para posterior secagem até aproximadamente 12% a 13%. A condição deve ser conferida com medidor de umidade adequado. Também é importante observar a previsão do tempo. Chuvas prolongadas após a maturação podem reumedecer as plantas, favorecer doenças de final de ciclo e provocar rebrota ou germinação de grãos ainda nas vagens.

Uniformidade da lavoura facilita a colheita

O feijoeiro apresenta diferenças de maturação entre plantas e até entre vagens da mesma planta. Plantio desuniforme, estresse hídrico e rebrotas após chuvas tardias podem ampliar essa diferença. Por isso, o produtor precisa evitar tanto a entrada antecipada da máquina quanto o atraso excessivo da colheita.

Uma lavoura uniforme, com população adequada e bom equilíbrio de fertilidade e disponibilidade de água, tende a apresentar maturação mais homogênea e facilita a definição do momento de colheita. O controle de plantas daninhas também é fundamental. Infestantes altas aumentam o volume de massa processado pela colhedora, dificultam o corte, provocam engasgos e sobrecarregam os sistemas de limpeza.

Regulagem da colhedora reduz perdas e quebras

Na colheita mecanizada do feijão, as perdas podem ocorrer na plataforma, na trilha e separação ou no sistema de limpeza. Na plataforma, vagens podem cair para fora do equipamento ou se desprender durante o corte e a alimentação. Barra de corte muito alta, velocidade excessiva e lavouras acamadas favorecem esse tipo de perda.

Na trilha, tanto a intensidade insuficiente quanto a excessiva provocam problemas. A trilha incompleta deixa vagens com grãos, enquanto a agressiva aumenta quebras e rachaduras. A rotação do cilindro, o espaçamento entre cilindro e côncavo e a taxa de alimentação devem ser ajustados de acordo com as condições da lavoura. O manual do fabricante deve orientar as configurações específicas da máquina, com validação em campo por profissional habilitado.

Plataforma precisa trabalhar próxima ao solo

A altura de corte deve ser a menor possível sem provocar contato excessivo com o solo ou pedras. O cuidado é importante porque muitas vagens do feijão ficam próximas à superfície. Cultivares de hábito mais ereto e com inserção mais alta da primeira vagem reduzem esse desafio. A velocidade de avanço também interfere no desempenho. Operações rápidas demais aumentam vibrações e impactos sobre as plantas, favorecem a debulha antecipada e reduzem a capacidade de resposta da máquina às irregularidades do terreno. A velocidade deve ser compatível com a condição da área e com a capacidade efetiva da colhedora.

Sistema de limpeza merece atenção

O ventilador deve fornecer ar suficiente para retirar palha e impurezas sem carregar grãos junto com o material eliminado. As peneiras precisam permitir a passagem dos grãos e reter resíduos maiores. O ajuste deve considerar o retorno de grãos pelo retrilho e a quantidade de produto que sai junto com a palha. A taxa de alimentação também precisa ser mantida de maneira contínua. Picos de entrada de material podem provocar sobrecarga, entupimentos e perda de eficiência na trilha e na limpeza.

Monitore as perdas durante a operação

A avaliação das perdas não deve ocorrer somente depois que a colheita termina. O produtor pode utilizar bandejas de amostragem ou quadros de área conhecida para quantificar os grãos deixados no campo antes e depois da passagem da colhedora. Essa metodologia permite separar as perdas naturais, que já estavam presentes antes da operação, daquelas provocadas pela máquina.

Durante a colheita, é recomendável interromper periodicamente o trabalho para verificar as perdas na frente e atrás da máquina, além do percentual de grãos quebrados e rachados. Se houver muitos grãos inteiros no chão após a passagem, pode existir excesso de perda na plataforma ou nas peneiras. Já uma quantidade elevada de grãos quebrados no tanque pode indicar trilha excessivamente agressiva.

Preserve o tegumento para manter o valor comercial

A qualidade da colheita não depende apenas da quantidade de grãos que permanece no campo. O feijão é sensível a impactos e danos ao tegumento. Quebras, rachaduras e remoção da película reduzem a qualidade e podem comprometer o valor comercial. Grãos mais secos são naturalmente mais quebradiços, enquanto rotações elevadas do sistema de trilha, côncavo muito fechado e excesso de material aumentam os impactos. Desgastes irregulares em cilindros, barras de trilha e elevadores também podem ampliar a abrasão. O transporte e a descarga devem ser considerados na mesma estratégia, já que quedas de grandes alturas podem causar danos mecânicos adicionais.

Preparo da área interfere no desempenho

Antes da entrada da colhedora, a condição do terreno precisa ser avaliada. Superfícies irregulares, sulcos ou camalhões acentuados, pedras e tocos dificultam a manutenção da altura de corte e podem aumentar as perdas de vagens próximas ao solo. Onde possível, é importante manter o terreno mais regular. No plantio direto, irregularidades acumuladas ao longo das safras também devem ser consideradas no planejamento. Em períodos chuvosos, deve-se evitar a entrada de máquinas em solo excessivamente úmido, reduzindo riscos de compactação, danos à estrutura do solo, maior consumo de combustível e dificuldades de tração.

Manejo começa antes da colheita

A eficiência da colheita mecanizada é construída durante todo o ciclo. A escolha de cultivares com hábito de crescimento ereto, inserção mais alta da primeira vagem e resistência ao acamamento favorece o corte e reduz perdas na plataforma.

O equilíbrio na adubação e na irrigação também é importante. Excesso de nitrogênio ou irrigação desigual pode aumentar o acamamento e provocar maturação desuniforme. O planejamento da rotação de culturas deve considerar a distribuição da palhada. Excesso de resíduos mal distribuídos pode dificultar o corte rente ao solo e o recolhimento das vagens mais baixas.

Logística completa o manejo das perdas

A colheita precisa estar integrada à estrutura de pós-colheita. Transporte, descarga e secagem devem ser planejados para evitar que o feijão permaneça por longos períodos exposto às condições ambientais após ser retirado da lavoura. A capacidade operacional disponível também deve entrar na decisão de iniciar a colheita. O número de colhedoras, caminhões e a estrutura de secagem precisam ser compatíveis com o volume que será retirado do campo. Começar a operação sem estrutura suficiente para receber o produto pode gerar filas, atrasos e perda de qualidade.

Segurança deve acompanhar a operação

A operação exige o uso de equipamentos de proteção individual pela equipe responsável pela colheita e manutenção. Os operadores precisam conhecer as funções e regulagens da colhedora, ler o manual do fabricante e identificar sinais de problemas, como perdas excessivas, grãos quebrados e entupimentos frequentes. A manutenção preventiva dos sistemas de plataforma, trilha, separação, limpeza e transporte interno reduz falhas e riscos de acidentes. Ajustes, desobstruções e intervenções em partes móveis devem ser realizados com os procedimentos de segurança adequados.

As recomendações apresentadas são gerais. O ponto ideal de colheita e as regulagens da máquina dependem das condições específicas de clima, solo, cultivar e manejo. A tomada de decisão deve contar com acompanhamento de engenheiro(a) agrônomo(a) ou técnico(a) habilitado(a), além do cumprimento das orientações do fabricante.

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