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Produtores adaptam estratégias para manter safra de milho 2025/26

A semeadura do milho segunda safra 2025/26 ganhou ritmo nas últimas semanas e atingiu 75,9% da área prevista no Centro-Norte na primeira semana de março, conforme o Boletim da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento. O avanço foi de 54,3 pontos percentuais em relação ao início de fevereiro, quando 21,6% da área estava plantada, aproximando o calendário da média histórica.

O desempenho recente contrasta com o atraso observado ao longo de fevereiro. Segundo a Conab, o plantio tardio da soja e o excesso de chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste retardaram a colheita da oleaginosa e, por consequência, a entrada das máquinas para a semeadura do milho safrinha.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Para o engenheiro agrônomo André Villar, que acompanha a safra em estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o regime de chuvas do verão exigiu ajustes operacionais nas propriedades. “Em diversas regiões o plantio da soja se estendeu além do previsto e isso deslocou o calendário do milho segunda safra. Em alguns locais o produtor conseguiu manter o planejamento, mas em outros foi necessário rever a estratégia de cultivo”, afirma.

A Conab informa que a semeadura já ocorre em todos os estados produtores e que a maior parte das áreas implantadas apresenta bom desenvolvimento inicial, favorecida pelas condições climáticas recentes. Ainda assim, começam a aparecer ajustes na área destinada ao cereal em alguns estados.

Em Goiás, as chuvas de fevereiro cadenciaram a colheita da soja e o plantio do milho. Ao fim do mês, cerca de 62% da área prevista estava semeada, mas as operações foram interrompidas repetidas vezes pela ausência de talhões colhidos ou pelo excesso de umidade no solo, que dificultou a entrada de máquinas. Mesmo com as restrições, as áreas implantadas evoluem bem. “Quando a colheita da soja atrasa, o calendário da segunda safra fica mais apertado. Em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, isso reduz a área de milho, porque o produtor evita plantar fora da janela ideal. Nesses casos, o sorgo passa a ser uma alternativa viável”, ressalta Villar.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural

No Maranhão, o início da colheita da soja nos municípios dos Gerais de Balsas permitiu a semeadura do milho apenas em fevereiro. A área estimada no estado é de 239,2 mil hectares, cerca de 20% inferior à safra anterior. As lavouras estão em emergência e início de desenvolvimento vegetativo.

No Piauí, o plantio começou apenas no segundo decêndio de fevereiro e segue o ritmo da colheita da soja, também afetada pelo excesso de chuvas. No Tocantins, a operação evolui de forma mais consistente, com 72% da área prevista já semeada, beneficiada pela alternância entre períodos de chuva e sol, condição que tem favorecido o estabelecimento das lavouras.

No Pará, onde a segunda safra se concentra nas regiões Sudeste e Sudoeste, cerca de 40% da área prevista já foi implantada. As lavouras apresentam excelente estado vegetativo, favorecidas por boas condições climáticas e pelo uso de tecnologias de produção mais avançadas. “A agricultura brasileira é dinâmica. Mesmo quando o calendário atrasa, o produtor busca alternativas para manter o equilíbrio do sistema produtivo, seja ajustando área, escolhendo híbridos de ciclo mais curto ou mudando estratégias de manejo”, menciona Villar.

Engenheiro agrônomo André Villar: “Em diversas regiões o plantio da soja se estendeu além do previsto e isso deslocou o calendário do milho segunda safra”

Segundo o agrônomo, a segunda quinzena de fevereiro e o início de março aumentaram a demanda por híbridos mais adaptados ao plantio tardio, com ciclos mais curtos, vigor inicial e maior tolerância à seca. “Nosso trabalho no campo foi rever a recomendação desses híbridos e garantir a entrega no momento certo”, enfatiza.

No Distrito Federal, cerca de 25% da área estimada já foi semeada, com lavouras em estágios iniciais de germinação e desenvolvimento vegetativo. De forma geral, o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento ajustou a estimativa nacional para 17,8 milhões de hectares cultivados com milho segunda safra, com produção projetada em 108,4 milhões de toneladas.

Para Villar, o resultado final dependerá do comportamento do clima nas próximas semanas, especialmente nas áreas que iniciaram o plantio fora da janela ideal. “Mesmo com ajustes regionais, o cenário geral ainda é favorável. Se o clima colaborar, as áreas já implantadas têm potencial para se desenvolver bem e sustentar mais uma safra relevante de milho no país”, salienta. 

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