O valor bruto da produção de milho cresceu 30,47% em 2025, impulsionado pelo aumento de 22,18% na produção e pela alta de 6,78% nos preços na comparação com 2024. O desempenho reflete a combinação de expansão da área cultivada, ganhos de produtividade e variações no comportamento do mercado ao longo do ano, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Foto: Jaelson Lucas
A produção foi ampliada principalmente pela segunda safra, que concentrou o maior volume e apresentou produtividade superior às estimativas iniciais e ao ciclo anterior nos principais estados produtores. O resultado foi favorecido por condições climáticas adequadas e pelo uso intensivo de tecnologia no campo.
Na primeira safra, o crescimento da produção ocorreu mesmo com redução da área plantada, que atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 1976/77. O avanço foi sustentado pelo aumento do rendimento médio das lavouras.
A terceira safra também apresentou crescimento, apesar da redução de área. O desempenho foi favorecido pelo bom desenvolvimento das lavouras, impulsionado pelas chuvas registradas em agosto. Essa etapa ocorre entre abril e junho e está concentrada no Nordeste, com presença em estados como Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, além de participação menor no Norte. Embora represente parcela reduzida da produção nacional, a terceira safra ganha relevância na região nordestina.
No mercado, os preços apresentaram movimentos distintos ao longo de 2025. No primeiro trimestre, as cotações subiram com força,
Foto: Shutterstock
impulsionadas pela demanda aquecida e pela baixa disponibilidade do cereal. A prioridade na entrega de contratos antecipados, dificuldades logísticas, custos elevados de transporte e estoques limitados contribuíram para sustentar esse cenário.
No segundo trimestre, os preços começaram a recuar, pressionados pela maior oferta com o avanço da colheita da safra de verão e o início da segunda safra. A valorização do real frente ao dólar, a queda das cotações externas e a postura mais cautelosa dos compradores reforçaram o movimento de baixa.
No terceiro trimestre, prevaleceu tendência de queda moderada, influenciada pela retração dos consumidores, pelo avanço da colheita da segunda safra e pelo ritmo mais lento das exportações. A partir da segunda metade de agosto, houve reação das cotações diante da redução da oferta imediata, enquanto setembro registrou variações pontuais.
No quarto trimestre, os preços voltaram a subir no mercado interno. A retração dos vendedores, concentrados nas atividades de campo e no plantio da safra de verão, limitou a oferta no mercado disponível. Ao mesmo tempo, compradores retornaram às negociações para recompor estoques, em um contexto de preços internacionais mais firmes e bom ritmo de exportações, o que sustentou as cotações até o fim do ano.
