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Beans: crop rotation helps control nematodes

O nematoide das lesões, Pratylenchus brachyurus, é um dos principais problemas fitossanitários do bean e pode comprometer o desenvolvimento das raízes e a produtividade da lavoura. Presente em praticamente todas as regiões produtoras e com ampla gama de hospedeiros, o organismo exige planejamento de médio e longo prazo, com a rotação de culturas entre as principais estratégias para reduzir sua população no solo.

O feijão é cultivado praticamente durante todo o ano, em diferentes épocas de semeadura e sistemas de produção. Essa característica expõe a cultura a condições variadas de temperatura, umidade e sucessão de culturas, favorecendo a ocorrência de nematoides fitoparasitas.

Entre os principais problemas está Pratylenchus brachyurus, espécie migradora que ataca as raízes e provoca lesões capazes de comprometer a absorção de água e nutrientes. O nematoide também pode favorecer a entrada de fungos e bactérias oportunistas nos tecidos radiculares.

Em áreas com populações elevadas, as plantas de feijão podem apresentar desenvolvimento desuniforme, folhas amareladas, murcha em dias quentes e raízes escurecidas, curtas e pouco ramificadas. Esses sintomas podem ser confundidos com deficiência nutricional ou falta de água localizada, atrasando o diagnóstico.

Por permanecer no solo e utilizar diferentes espécies como hospedeiras, a população do nematoide não diminui de forma imediata. Por isso, o manejo precisa ser planejado ao longo de vários ciclos, combinando rotação de culturas com outras estratégias.

Pratylenchus brachyurus vive dentro e fora das raízes e se alimenta das células do córtex. Diferentemente dos nematoides de galha, não provoca a formação de nódulos, mas causa áreas necrosadas distribuídas ao longo das raízes.

O processo começa quando juvenis e adultos penetram nas raízes jovens, principalmente na região de alongamento das raízes finas. O organismo perfura as células, alimenta-se do conteúdo celular e migra pelos tecidos.

Com a morte das células, surgem áreas escurecidas e necrosadas. As fêmeas depositam ovos, que originam novos juvenis e dão continuidade ao ciclo. Parte da população permanece nas raízes, enquanto outra retorna ao solo e pode atingir novas raízes da mesma lavoura ou da cultura seguinte.

As lesões reduzem o volume de raízes funcionais e prejudicam a absorção de água e nutrientes. Elas também podem abrir portas de entrada para patógenos radiculares, como Fusarium e Rhizoctonia, agravando os danos e reduzindo o vigor das plantas.

O impacto sobre a produtividade varia conforme a população inicial do nematoide, a suscetibilidade da cultivar, as condições de solo e clima e o histórico de culturas hospedeiras na área.

Entre os efeitos estão menor crescimento vegetativo, redução da área foliar, menor número de vagens e grãos por planta e formação de grãos menores. Em situações mais graves, também podem ocorrer falhas de estande ou plantas com baixa formação de grãos.

A presença do nematoide pode ainda aumentar a sensibilidade do feijão aos períodos de estiagem, principalmente em solos arenosos ou com baixa capacidade de retenção de água.

Além da redução de produtividade, o problema tem impacto econômico por aumentar a necessidade de insumos e operações corretivas. Em áreas conduzidas em monocultivo ou em sucessões com espécies hospedeiras, a população do nematoide tende a aumentar ao longo dos anos.

A rotação de culturas é uma das principais estratégias para interromper esse processo. O objetivo é substituir, por uma ou mais safras, culturas altamente suscetíveis por espécies pouco suscetíveis ou não hospedeiras.

Ao reduzir a disponibilidade de alimento para P. brachyurus, a estratégia pode provocar uma redução gradual da população a cada ciclo. Com menor carga do nematoide no solo, o feijão cultivado posteriormente tende a encontrar condições mais favoráveis para desenvolver o sistema radicular.

O planejamento, porém, precisa considerar o calendário de produção durante todo o ano. Janelas de safra e safrinha, sistemas irrigados ou de sequeiro e modelos como plantio direto, cultivo convencional e integração lavoura-pecuária interferem na escolha das culturas.

O primeiro passo é diagnosticar a área. A coleta de amostras de solo e raízes para análise nematológica permite identificar quais espécies estão presentes e determinar a densidade populacional.

O diagnóstico também mostra se P. brachyurus é predominante ou se existe uma combinação com outras espécies importantes, como os nematoides de galha.

Com essas informações, o técnico pode avaliar o risco para o feijão e definir a intensidade das ações de manejo. Em áreas com populações muito elevadas, pode ser necessário utilizar espécies pouco suscetíveis por mais de um ciclo.

Para planejar a rotação, é importante diferenciar as culturas conforme a capacidade de multiplicação do nematoide. Boas hospedeiras permitem elevada reprodução e podem aumentar rapidamente a população no solo.

Já as hospedeiras ruins ou pouco suscetíveis permitem uma multiplicação limitada, enquanto as não hospedeiras não servem como fonte de alimento e favorecem a redução da população ao longo do ciclo.

A reação de cada espécie pode variar conforme a cultivar e as condições de solo e clima. Por isso, a escolha das culturas deve considerar resultados de ensaios regionais, boletins técnicos e recomendações de pesquisa.

A simples alternância entre culturas não garante o controle. Muitos cultivos anuais utilizados na sucessão com feijão podem ser bons hospedeiros de P. brachyurus. Se duas espécies suscetíveis forem utilizadas em sequência, a população do nematoide pode continuar elevada.

Adubos verdes e plantas de cobertura podem integrar o sistema desde que apresentem baixa capacidade de multiplicação do nematoide. Além disso, essas espécies podem contribuir para a produção de biomassa, melhoria da estrutura e aumento da matéria orgânica do solo.

Um exemplo de planejamento começa com uma área que apresenta histórico de feijão em sucessão a culturas potencialmente suscetíveis e população elevada de P. brachyurus.

Na safra de verão, a estratégia pode priorizar uma cultura pouco suscetível ou não hospedeira, utilizando cultivares previamente avaliados quanto à reação ao nematoide.

Durante a safrinha, pode ser incluído um adubo verde ou uma cobertura com baixa capacidade de multiplicação do organismo. Além de contribuir para a formação de palhada, a estratégia pode ajudar na melhoria das condições do solo e na supressão de plantas daninhas.

Na entressafra, plantas de cobertura ou um pousio vegetado com espécies não hospedeiras podem manter o solo protegido, reduzir a erosão e limitar a multiplicação do nematoide.

O feijão pode retornar ao sistema conforme a janela de cultivo da região, preferencialmente depois de um ou dois ciclos com espécies pouco suscetíveis ou não hospedeiras. A intenção é iniciar o novo cultivo em um solo com menor população de P. brachyurus.

A estratégia precisa ser ajustada ao clima de cada região, à disponibilidade de sementes de plantas de cobertura e aos objetivos econômicos da propriedade.

A rotação também deve ser combinada com outras práticas. Quando disponíveis, cultivares de feijão com melhor tolerância podem contribuir para o manejo em áreas infestadas.

O controle de plantas daninhas é outro ponto importante porque muitas espécies espontâneas podem atuar como hospedeiras de P. brachyurus. O manejo deve continuar durante todo o ano, inclusive na entressafra.

A correção da acidez, o manejo da fertilidade, a adição de matéria orgânica e a manutenção de palhada também podem favorecer a saúde das raízes e a atividade de organismos benéficos, aumentando a resiliência da lavoura diante dos danos.

O controle biológico, quando realizado com agentes registrados, pode ser integrado ao programa de rotação e contribuir para reduzir a pressão dos nematoides no solo.

O cuidado com máquinas e implementos também faz parte do manejo. A movimentação de solo e resíduos de áreas infestadas para locais ainda sem o problema pode favorecer a disseminação do nematoide. A limpeza e a desinfecção dos equipamentos ajudam a reduzir esse risco.

Para verificar se a rotação está funcionando, o monitoramento deve continuar ao longo dos anos. Amostras de solo e raízes podem ser coletadas antes da implantação do feijão e depois da colheita de culturas importantes dentro da estratégia de rotação.

A comparação da densidade populacional ao longo dos ciclos permite identificar se a população está diminuindo, permanecendo estável ou aumentando.

Esses resultados devem ser avaliados junto com dados de produtividade, vigor das plantas e ocorrência de sintomas nas raízes. Caso a população continue elevada, é necessário reavaliar as espécies utilizadas na rotação, a presença de plantas daninhas hospedeiras e possíveis fontes de introdução do nematoide na área.

A escolha de espécies e cultivares para a rotação deve considerar as recomendações de pesquisa para cada região e a análise econômica da propriedade. A definição também deve levar em conta a reação específica dos materiais a P. brachyurus.

Qualquer utilização de produtos químicos ou biológicos deve seguir as recomendações de rótulo e bula e o receituário agronômico emitido por profissional habilitado.

Dessa forma, o controle do nematoide das lesões no feijão depende de um planejamento que vai além de uma única safra. A identificação da população presente no solo, a escolha de culturas pouco suscetíveis ou não hospedeiras, o controle de plantas daninhas e o monitoramento contínuo formam a base de uma estratégia de manejo integrado.

A rotação de culturas, quando planejada de acordo com as condições da propriedade e associada às demais práticas, pode reduzir gradualmente a população de Pratylenchus brachyurus e criar condições mais favoráveis para o estabelecimento e a produtividade do feijão.

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