
A colheita do bean é uma das etapas de maior risco de perdas na produção e exige monitoramento constante para evitar prejuízos. Em sistemas manuais ou mecanizados, a medição em campo permite identificar problemas de regulagem, velocidade e ponto de colheita e definir limites economicamente aceitáveis para cada lavoura.
O feijoeiro apresenta características que tornam a colheita uma operação particularmente sensível. As vagens ficam próximas ao solo, a maturação pode ocorrer de maneira desuniforme e os grãos são suscetíveis a trincas e quebras. Além disso, o tombamento e o acamamento das plantas, associados à ocorrência de chuvas durante a maturação, podem ampliar as perdas. Segundo dados divulgados pela Embrapa, tecnologias e procedimentos adequados de colheita são importantes para melhorar a eficiência da operação.
Na prática, a identificação do problema muitas vezes ocorre apenas quando o produtor encontra uma quantidade elevada de grãos no chão ou verifica uma produtividade inferior à esperada no armazém. A medição sistemática das perdas permite antecipar essa identificação e corrigir problemas ainda durante a operação, transformando o potencial produtivo da lavoura em resultado econômico.
As perdas podem ocorrer antes, durante e imediatamente depois da passagem da colhedora. A classificação ajuda a identificar a origem do problema e definir qual medida corretiva deve ser adotada. As perdas de pré-colheita acontecem antes da operação de colheita e podem estar relacionadas à abertura de vagens, quebra de hastes provocada por vento, chuva ou acamamento, danos de pragas e maturação desuniforme. Na plataforma da colhedora, as perdas incluem vagens que ficam abaixo da barra de corte, grãos desprendidos pelo impacto mecânico e plantas que não são recolhidas adequadamente.
Já as perdas no sistema interno estão associadas principalmente à trilha, separação, limpeza e transporte dos grãos. Regulagens inadequadas podem provocar trincas, expulsão de grãos junto à palha ou perda de produto junto às impurezas. Também existem perdas de pós-colheita imediata, relacionadas ao transbordo, transporte interno e descarga. Embora geralmente menores que as perdas ocorridas no campo, elas devem ser consideradas quando o objetivo é avaliar toda a eficiência da operação.
Cada grão deixado no campo representa receita que deixa de ser obtida pelo produtor. Mesmo percentuais aparentemente baixos podem representar vários sacos de feijão por hectare. Em uma lavoura com produtividade potencial de 2.000 kg por hectare, por exemplo, uma perda de 5% corresponde a 100 kg por hectare deixados no campo.
Em propriedades com dezenas ou centenas de hectares, o impacto aumenta significativamente, principalmente porque os custos de produção já foram realizados e não serão remunerados pela parcela perdida. A qualidade do produto também pode ser afetada. Grãos quebrados ou trincados, assim como aqueles excessivamente secos em razão de uma colheita tardia, podem sofrer deságio ou rebaixamento de classe.
O método prático consiste em delimitar pequenas áreas na faixa já colhida, recolher os grãos e vagens deixados no solo e estimar a quantidade perdida por hectare. O primeiro passo é utilizar um gabarito de área conhecida. Podem ser usados modelos quadrados ou retangulares com 0,5 m² a 1,0 m². O equipamento pode ser construído com madeira, metal ou tubo de PVC. Áreas maiores tendem a reduzir a variabilidade das amostras, mas demandam mais tempo de coleta. Por isso, uma área entre 0,5 m² e 1,0 m² é apresentada como alternativa prática.
As amostras devem representar o talhão. É necessário evitar bordaduras e extremidades, distribuindo os pontos em diferentes linhas de colheita. O material recomenda realizar entre cinco e dez amostras por talhão, considerando o tamanho e a heterogeneidade da área.
Depois de posicionar o gabarito sobre a faixa colhida, devem ser recolhidos todos os grãos soltos, fragmentos de vagens com grãos e vagens inteiras que permaneceram no solo. A coleta precisa ser cuidadosa para evitar que grãos escondidos sob a palha deixem de ser contabilizados. O material deve ser acondicionado em recipiente identificado.
Antes da pesagem, a umidade precisa ser padronizada ou corrigida. Uma alternativa é determinar a massa na umidade encontrada e fazer a correção matemática para a umidade padrão de comercialização, como 13%. Outra possibilidade é secar levemente o material em estufa ou em ambiente ventilado até atingir umidade próxima à do produto comercial. Com a massa determinada, a perda por hectare pode ser estimada pela extrapolação da área amostrada. Por exemplo, se forem coletados 40 gramas de grãos em um gabarito de 1 m², a estimativa será de 400 kg por hectare.
Se a produtividade efetivamente colhida for de 2.000 kg por hectare, essa perda representará 20% da produtividade, um nível considerado muito elevado e que indica necessidade urgente de ajustes.
A avaliação também pode determinar quanto da perda ocorreu naturalmente e quanto foi provocado pela operação de colheita. Para isso, a primeira medição deve ser feita antes da passagem da colhedora, em áreas representativas da lavoura. Os grãos e vagens encontrados no solo são coletados e utilizados para estimar a perda de pré-colheita.
Depois da passagem da máquina, o procedimento é repetido. A diferença entre a perda total encontrada após a colheita e aquela já existente antes da operação representa, em termos gerais, a parcela atribuída à colheita. Esse procedimento ajuda a diferenciar problemas relacionados ao atraso da operação daqueles provocados por regulagem inadequada ou condução incorreta da colhedora.
Não existe um percentual universal que determine o limite aceitável. O resultado depende do potencial produtivo da lavoura, das condições climáticas, do sistema de colheita, da disponibilidade e do custo da mão de obra e do estado de conservação e da tecnologia da máquina. Como referência geral de campo, perdas totais próximas de 3% a 4% da produtividade são apontadas no material como um alvo viável em colheitas bem conduzidas.
Valores significativamente superiores indicam espaço para melhorias. Entre as alternativas estão ajustes da máquina, redução da velocidade, antecipação ou escalonamento da colheita e mudanças na estrutura operacional. Esse percentual, porém, deve ser tratado como balizador. O limite economicamente aceitável precisa considerar quanto custa reduzir a perda e quanto de receita adicional será recuperado.
O produtor pode estimar inicialmente a produtividade potencial da lavoura por meio de amostragens realizadas antes da colheita. Em seguida, deve medir as perdas logo no início da operação e calcular o percentual obtido. O resultado pode ser comparado com uma faixa-alvo próxima de 3% a 4%.
Se a perda estiver elevada, é possível testar uma redução da velocidade ou alterações nas regulagens e realizar uma nova medição.
A decisão deve considerar o custo dessas medidas em relação à receita recuperada com os grãos que deixariam de ser perdidos.Dessa forma, o limite deixa de ser apenas um percentual de referência e passa a refletir a realidade econômica de cada propriedade.
O que aumenta as perdas durante a colheita
O ponto de colheita é um dos fatores determinantes. Uma operação muito antecipada pode ocorrer com plantas verdes, elevando impurezas e danos. Já o atraso aumenta o risco de abertura de vagens e queda de grãos. A maturação desuniforme também dificulta a escolha do momento ideal. Falhas no manejo da irrigação ou da fertilidade e cultivares com ciclos diferentes podem fazer com que plantas verdes e secas estejam presentes simultaneamente. A altura das primeiras vagens influencia diretamente a eficiência da plataforma.
Vagens muito próximas ao solo podem ficar abaixo da altura de corte, especialmente em áreas irregulares. A velocidade excessiva também eleva as perdas, pois a plataforma pode não recolher corretamente as plantas e os sistemas de trilha e limpeza podem operar acima da capacidade adequada. A regulagem da colhedora deve considerar características do feijão e as condições de campo, incluindo rotação do cilindro ou rotor, folgas de trilha, abertura das peneiras e ventilação.
A equipe deve acompanhar as perdas em cada talhão, principalmente no início da colheita e sempre que houver mudança nas condições de operação. Mudanças na umidade do solo, no horário do dia, na variedade ou no talhão podem alterar o desempenho da máquina e exigir nova avaliação. Quando a perda se aproxima ou supera o limite definido, uma das medidas é reduzir a velocidade de avanço e revisar as regulagens da plataforma e do sistema de trilha. Também pode ser necessário antecipar a colheita de áreas mais uniformes para reduzir o período de exposição a chuvas e ventos.
Em lavouras com maturação muito desuniforme, estratégias como duas passagens ou priorização das áreas mais maduras podem ser consideradas, em vez de esperar que todo o talhão atinja simultaneamente o ponto ideal. As decisões mais específicas devem ser tomadas com apoio de engenheiro(a) agrônomo(a), considerando o equilíbrio entre perdas, qualidade e custos operacionais.
A escolha de cultivares com arquitetura favorável à colheita mecanizada pode contribuir para reduzir perdas, especialmente quando há boa altura de inserção das primeiras vagens. Também é importante manter a área nivelada e ajustar a colhedora de acordo com as recomendações do fabricante para a cultura do feijão. O horário da operação merece atenção. O início da colheita deve considerar condições de menor umidade superficial, evitando plantas molhadas por orvalho intenso, que podem favorecer embuchamentos e danos mecânicos.
A capacitação dos operadores também é fundamental. Eles devem reconhecer sinais de aumento das perdas, como a presença crescente de grãos no chão, e interromper a operação quando forem necessários novos ajustes. A estratégia central é simples: medir, ajustar e medir novamente. O monitoramento contínuo permite manter as perdas em níveis técnica e economicamente aceitáveis.
A colheita mecanizada envolve riscos relacionados a máquinas em movimento, partes rotativas e ruído elevado. Por isso, devem ser utilizados equipamentos de proteção individual adequados, incluindo protetores auriculares, óculos de proteção e calçados de segurança. Luvas devem ser utilizadas quando necessário. As instruções de segurança do fabricante da colhedora precisam ser respeitadas.
A medição das perdas nunca deve ser realizada enquanto a máquina estiver se movimentando na área de amostragem. Segundo dados divulgados pela Embrapa, as práticas de colheita mecanizada integram as tecnologias de produção recomendadas para o feijão. Mudanças significativas nas regulagens ou nas estratégias de manejo devem ser planejadas com orientação técnica.
Antes e durante a operação, o produtor deve utilizar gabaritos de 0,5 m² a 1,0 m² e realizar amostragens em diferentes pontos do talhão, evitando bordas. Também deve coletar todos os grãos e vagens com grãos encontrados na área delimitada, padronizar ou corrigir a umidade antes da pesagem e calcular a perda por hectare e como percentual da produtividade. A comparação entre medições antes e depois da colheita ajuda a separar perdas naturais daquelas provocadas pela operação.
Sempre que os resultados se aproximarem ou ultrapassarem o limite estabelecido, a recomendação é ajustar velocidade e regulagens e repetir a medição para verificar o efeito da correção.O registro dos resultados por talhão e por safra permite criar um histórico e orientar melhorias futuras.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.
