
A produtividade média da soy brasileira deve recuar na safra 2026/2027, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A nova temporada começa sob risco climático, com previsão de mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro.
A Conab projeta produção de 181,64 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, cultivada em uma área de 49,3 milhões de hectares. Mesmo com o crescimento da produção, a expectativa é de ligeira redução do rendimento médio em relação ao ciclo anterior.
O cenário climático aumenta a necessidade de antecipar o manejo dos estresses nas lavouras, segundo Reinaldo Bonnecarrere, vice-presidente da Elicit Plant para Brasil e América Latina. Para ele, a perda de potencial produtivo pode começar antes que os sintomas sejam percebidos visualmente no campo. “Quando vemos a folha murchando ou mudando de aspecto, muitas vezes ela já passou por uma série de alterações fisiológicas”, afirma Bonnecarrere.
Segundo dados divulgados pela Conab, o clima será uma das principais variáveis para o resultado da nova safra. O boletim mais recente sobre o El Niño, elaborado pelo Inpe, Inmet e outros órgãos federais, indica 100% de probabilidade de permanência do fenômeno pelo menos até o início de 2027.
Para o trimestre de setembro a novembro, a tendência é de chuvas acima da média em áreas do Sul e abaixo da média no centro-norte do país.
A distribuição das chuvas e o estágio de desenvolvimento da soja no momento de uma eventual restrição hídrica podem influenciar a intensidade dos impactos, explica Bonnecarrere. “Não se trata apenas de ter ou não chuva. É preciso saber quanto tempo dura o intervalo sem precipitação e em que fase a planta está naquele momento”, diz.
Quando a disponibilidade de água diminui, a planta altera seu funcionamento para reduzir as perdas. Uma das primeiras respostas é o fechamento dos estômatos, mecanismo que reduz a transpiração, mas também interfere nas trocas gasosas e na fotossíntese.
Segundo estudos da Embrapa Soja citados no material, o déficit hídrico pode provocar queda de flores, abortamento de vagens e redução do peso dos grãos. O impacto tende a ser maior durante o período reprodutivo, principalmente entre a floração e o enchimento dos grãos. “A planta não precisa estar murcha para estar sob estresse. Em determinadas fases, o potencial de rendimento pode estar sendo comprometido enquanto visualmente a lavoura ainda parece normal”, explica Bonnecarrere.
Diante desse cenário, a prevenção envolve diferentes fatores, como genética, época de semeadura, estrutura e cobertura do solo, matéria orgânica, desenvolvimento radicular, disponibilidade de água e acompanhamento climático.
A Elicit Plant trabalha ainda com a plataforma EliTerra®, baseada em fitosteróis de origem vegetal e voltada à preparação fisiológica das plantas antes e durante situações de estresse. A tecnologia utiliza o conceito de priming, que busca estimular mecanismos naturais de resposta antes que condições adversas provoquem danos mais severos.
Bonnecarrere ressalta que a ferramenta tem atuação complementar dentro do manejo. “Não substitui genética, solo, irrigação ou manejo. É mais uma camada dentro de uma estratégia de redução do risco produtivo”, observa.
O impacto econômico do clima ganha importância também nos sistemas em que a soja é seguida pelo milho segunda safra. Um atraso causado por condições climáticas na oleaginosa pode deslocar a colheita e reduzir a janela disponível para o cereal.
A produtividade do milho também depende das condições encontradas ao longo de seu ciclo. Por isso, a avaliação do risco climático precisa considerar os possíveis efeitos sobre as duas culturas. “O produtor precisa traduzir esse risco em sacas por hectare. Quanto custa perder três, cinco ou dez sacas em uma área por causa de um período de estresse?”, questiona Bonnecarrere.
Segundo ele, produtividade potencial, preço, custo operacional e exposição climática precisam ser considerados nessa avaliação.
Nos ensaios divulgados pela Elicit Plant, o EliZon apresentou incremento médio de 7,5% na produtividade da soja, equivalente a cerca de 4,6 sacas por hectare.
No milho, avaliações realizadas ao longo de quatro safras apontaram aumento médio de 9,4%, ou 10,1 sacas por hectare.
Segundo dados divulgados pela Elicit Plant, os resultados variam conforme o ambiente, a genética, o manejo, a intensidade e o momento do estresse. Em áreas específicas de milho submetidas a múltiplas condições adversas, foram registrados incrementos entre 15 e 17 sacas por hectare.
A companhia trata esses números como resultados de ensaios e não como expectativa uniforme para todas as lavouras.
Para Bonnecarrere, o objetivo de antecipar o manejo é preservar uma parcela maior do potencial produtivo antes que a perda se torne irreversível. “Chuva depois do estresse pode recuperar a planta, mas não necessariamente recupera o potencial produtivo que ela perdeu”, afirma.
