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Soja chega a R$ 161,60 por saca no Porto de Santos

Segundo análise feita pela Grão Direto, o mercado brasileiro de soja iniciou esta terça-feira (13) sob pressão, diante da queda das cotações na Bolsa de Chicago e do dólar abaixo de R$ 5,00. O movimento ocorre após a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), conhecido como WASDE, que apontou uma safra norte-americana maior e estoques finais acima das expectativas do mercado. Apesar da sustentação dos prêmios de exportação, os preços físicos nacionais enfrentam um cenário de cautela, com produtores resistentes a ampliar as vendas.

A Grainsights, a inteligência de mercado da Grão Direto, destaca que Uberlândia (MG) acumulou perda superior a R$ 6,50 por saca na última semana. Na sexta-feira (9), a soja FOB na praça mineira encerrou cotada a R$ 144,17 por saca para novembro de 2026, com basis positivo de R$ 1,76 por saca. O levantamento relaciona a desvalorização ao recuo do câmbio, que havia alcançado R$ 5,22 no início de outubro, e à pressão das cotações em Chicago. Na região do Triângulo Mineiro, o início do plantio da safra 2026/27 também divide a atenção dos produtores entre os estoques disponíveis e a implantação da nova temporada.

No mercado portuário, o comportamento foi diferente. O monitoramento da Grainsights mostra que a soja FOB Santos foi negociada a R$ 161,60 por saca na sexta-feira, acima do patamar registrado na semana anterior. Os prêmios de exportação permaneceram sustentados, em um contexto de compras externas firmes. A diferença de preços entre Santos e Rio Grande chegou a R$ 2,08 por saca, evidenciando condições distintas entre os corredores de comercialização.

A comercialização também apresentou sinais de retração. Conforme os dados acompanhados pela Grainsights, a semana retrasada registrou o menor ritmo de negócios dos últimos cinco anos para o período, abaixo dos volumes observados nas semanas equivalentes de 2025, 2023 e 2022. Na semana passada, as negociações para entrega futura superaram ligeiramente as vendas de soja disponível. O levantamento aponta maior resistência dos produtores em negociar os estoques atuais, enquanto parte das operações se concentra na próxima safra.

As diferenças regionais ficaram evidentes no levantamento referente a 9 de outubro. O Rio Grande do Sul apresentou a maior atividade comercial entre as regiões monitoradas, embora o ritmo tenha sido classificado como morno. Santa Catarina também registrou movimentação moderada, com negócios pontuais. Em contrapartida, Mato Grosso apresentou atividade praticamente paralisada, enquanto Minas Gerais e Goiás tiveram poucos negócios. No MATOPIPA, a comercialização permaneceu abaixo do habitual, com compradores presentes e vendedores hesitantes.

O avanço do plantio brasileiro acrescenta outro elemento ao cenário. A análise divulgada pela Grainsights aponta que a semeadura da safra 2026/27 ocorre em ritmo superior à média histórica e ao registrado no mesmo período do ano passado. Em Mato Grosso, as operações recuperaram velocidade após a melhora das condições de umidade nas últimas semanas. O avanço das lavouras reforça a expectativa de safra recorde, enquanto o MATOPIPA ainda apresenta atraso relativo no plantio.

Para as próximas sessões, a análise destaca o comportamento da Bolsa de Chicago e do câmbio como fatores relevantes para a formação dos preços nacionais. A continuidade da pressão relacionada à colheita norte-americana e a permanência do dólar abaixo de R$ 5,00 estão entre os pontos acompanhados pelo mercado. No Brasil, o ritmo de implantação da nova safra e a baixa disposição de venda dos produtores completam o cenário de atenção para a comercialização da soja.

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