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Preço da soja recua com queda do dólar

O mercado da soja registrou movimentos distintos no Brasil e nos Estados Unidos nesta semana, com os preços nacionais pressionados pela queda do dólar e as cotações em Chicago abaixo de US$ 13 por bushel. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), os investidores acompanhavam o relatório de oferta e demanda de outubro, enquanto o plantio brasileiro avançava e a indústria nacional ampliava a capacidade de processamento.

Na Bolsa de Chicago, as cotações da soja permaneceram abaixo de US$ 13 por bushel durante grande parte da semana. No fechamento de quinta-feira (8), o contrato atingiu US$ 12,87 por bushel, ante US$ 12,84 uma semana antes. O mercado aguardava a divulgação do relatório de oferta e demanda de outubro, prevista para sexta-feira (9), e monitorava o avanço da colheita nos Estados Unidos.

Até 4 de outubro, os norte-americanos haviam colhido 25% da área semeada, abaixo da média histórica de 33%. O atraso foi associado ao excesso de chuvas registrado anteriormente. Entre as lavouras ainda por colher, 57% estavam em condições boas a excelentes, 29% em situação regular e 14% entre ruins e muito ruins.

Após três semanas de chuva, a melhora do clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos favoreceu a retomada da colheita. Ao mesmo tempo, a soja passou por ajustes técnicos após as fortes altas registradas dias antes, acompanhando principalmente a queda do óleo de soja.

Em 7 de outubro, o óleo recuou para 67,42 centavos de dólar por libra-peso, ante 69,58 centavos no dia anterior. A valorização do dólar no mercado global também reduziu a competitividade das commodities norte-americanas nas exportações.

As exportações norte-americanas de soja somaram 1,03 milhão de toneladas na semana encerrada em 24 de setembro, volume acima das expectativas do mercado. A China voltou a ser o principal comprador, com 589.400 toneladas, apesar de a soja ter ficado de fora da redução de tarifas anunciada pelo governo chinês para outros produtos agrícolas dos Estados Unidos.

No mercado de farelo de soja, houve cancelamentos de 51.100 toneladas da safra 2025/2026, o menor resultado do ano comercial. Para a safra 2026/2027, por outro lado, foram registradas vendas de 212.700 toneladas, com Guatemala, Filipinas, México, Colômbia e Canadá entre os principais compradores.

As vendas norte-americanas de óleo de soja tiveram desempenho mais fraco. Foram negociadas apenas 200 toneladas da safra 2025/2026, todas destinadas ao Canadá. O volume representou queda de 89% em relação à semana anterior e de 76% frente à média das quatro semanas anteriores. Para a nova safra, não foram informadas novas vendas.

No mercado brasileiro, os preços da soja recuaram durante a semana, pressionados pela desvalorização do dólar. Segundo a análise da CEEMA, o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, com a vitória de Flávio Bolsonaro, provocou queda da moeda norte-americana, embora o segundo turno estivesse previsto para 25 de outubro.

Durante a semana, o real chegou a ser cotado a R$ 4,97 por dólar, movimento que pressionou os preços de exportação da oleaginosa.

No Rio Grande do Sul, a soja chegou a ser negociada a R$ 136,00 por saca, enquanto a média estadual encerrou a semana em R$ 139,71 por saca de 60 quilos, ante R$ 142,00 na semana anterior.

Nas demais praças brasileiras, os preços oscilaram entre R$ 133,00 e R$ 144,00 por saca, dependendo da região. Nos portos, os prêmios firmes sustentaram cotações entre R$ 155,00 e R$ 160,00 por saca.

Apesar da pressão sobre os preços, o plantio da soja avançou no Brasil. Até 2 de outubro, a semeadura havia alcançado 9,4% da área esperada, acima da média histórica de 8,8% para o período, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No Mato Grosso do Sul, o plantio atingiu 18% da área prevista. O Estado estima cultivar 4,87 milhões de hectares na safra 2026/2027, aumento de 5,5% em relação ao ciclo anterior. Em condições climáticas normais, a expectativa é colher 15,3 milhões de toneladas.

No Mato Grosso, a projeção do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) é de produção de 48,9 milhões de toneladas, em uma área de 13,05 milhões de hectares. A produtividade média esperada é de 62,4 sacas por hectare. A indústria brasileira de soja aumentou em 13,1% sua capacidade de processamento em 2026, em comparação com o ano anterior, impulsionada pela demanda por farelo e óleo.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a capacidade de processamento chegou a 86,4 milhões de toneladas por ano, acima da projeção de processamento para 2026, estimada em um recorde de 63,5 milhões de toneladas.

O avanço está relacionado especialmente à maior demanda por óleo de soja para a produção de biodiesel. O farelo também tem papel importante no setor, tanto pelas exportações brasileiras quanto pela demanda interna para fabricação de ração destinada à cadeia de carnes. “ No Brasil, o óleo de soja responde pela maior parte da matéria-prima utilizada para a fabricação de biodiesel. O país é também o segundo exportador global de farelo de soja, produto que tem forte demanda interna como ingrediente para a ração utilizada pela cadeia de carnes”.

Além da expansão já registrada, foram anunciados investimentos de aproximadamente R$ 7,65 bilhões no país. Os projetos incluem ampliações e novas unidades que podem entrar em operação em um período de 12 meses, com potencial para acrescentar 7,4 milhões de toneladas anuais à capacidade de processamento.

O número de plantas ativas passou de 131 em 2025 para 148 em 2026, enquanto as unidades paradas caíram de 12 para seis. O Centro-Oeste concentra 42,9% da capacidade nacional, e Mato Grosso lidera entre os Estados, com 21,6% do total.

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