
As exportações brasileiras de soja avançaram até julho de 2026, enquanto o mercado internacional enfrenta pressão diante das expectativas de maior oferta nos Estados Unidos. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil exportou 82,9 milhões de toneladas de soja em grãos no acumulado até julho, acima dos 77,2 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano anterior.
As condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas elevaram as expectativas de oferta global e pressionaram os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago. No Brasil, porém, a valorização dos prêmios de exportação tem limitado o impacto das baixas externas sobre os preços domésticos.
Segundo dados divulgados pela Conab, as preocupações com a produção dos Estados Unidos também afastaram compradores que vinham realizando aquisições de grandes volumes. O mercado físico brasileiro ficou mais calmo, enquanto as compras chinesas passaram a ser direcionadas aos Estados Unidos.
Nesse cenário, o mercado corrigiu parte dos prêmios de exportação no Brasil. A movimentação ocorre ao mesmo tempo em que o cenário no Mar Negro permanece complexo, com bloqueios e conflitos limitando as exportações de Rússia e Ucrânia.
Apesar da pressão externa, o desempenho das exportações brasileiras segue elevado. Segundo dados divulgados pela Conab, os embarques acumulados até julho de 2026 cresceram em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a participação do Brasil no comércio internacional da oleaginosa.
A distribuição dos embarques pelos portos também apresentou mudanças. Pelos portos do Arco Norte foram expedidas 38,8% das exportações nacionais, ante 38,2% no mesmo período do ano anterior.
Pelo Porto de Santos, foram escoados 35,7% do volume nacional, contra 35,9% no exercício anterior. Já o Porto de Paranaguá respondeu por 13,1% das exportações brasileiras de soja, acima dos 11,9% registrados no mesmo período do ano anterior.
São Francisco do Sul, por sua vez, concentrou 4,9% dos embarques nacionais, ante 5,2% no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Conab.
A origem das cargas destinadas à exportação esteve concentrada nos estados de Mato Grosso, Goiás, Paraná e Minas Gerais.
O cenário mostra um mercado dividido entre a pressão exercida pelas expectativas de maior oferta norte-americana e a sustentação proporcionada pelos prêmios de exportação no Brasil. Ao mesmo tempo, a movimentação dos principais portos mantém os embarques brasileiros em patamar superior ao observado no ano anterior.
Para o produtor e os agentes do mercado, o comportamento da Bolsa de Chicago, a demanda chinesa e a formação dos prêmios de exportação continuam sendo fatores importantes para acompanhar a evolução dos preços da soja no Brasil.
