
Doença causada principalmente por Colletotrichum graminicola ganha importância no estádio reprodutivo e pode comprometer a sustentação das plantas, o enchimento dos grãos e a eficiência da colheita.
A antracnose do colmo está entre os problemas que podem comprometer a lavoura de milho principalmente na fase reprodutiva, quando a planta concentra seus recursos na formação e no enchimento dos grãos. Causada principalmente pelo fungo Colletotrichum graminicola, a doença provoca podridão interna, enfraquece os tecidos de sustentação e aumenta o risco de acamamento e quebramento antes da colheita.
O período reprodutivo do milho, entre os estádios R1 e R6, é marcado pela elevada transferência de fotoassimilados para os grãos. Fotoassimilados são os compostos produzidos pela planta, principalmente a partir da fotossíntese, e utilizados no seu crescimento e na produção.
Quando ocorre falta de água, baixa fertilidade ou ataque severo de doenças foliares, a planta pode aumentar a utilização das reservas acumuladas no colmo para sustentar a espiga. Esse processo deixa o tecido mais vulnerável à colonização pelo fungo e ao avanço da podridão.
O patógeno consegue permanecer na área entre uma safra e outra. O fungo pode sobreviver em restos de milho infectados, sementes infestadas e plantas voluntárias. Quando encontra umidade e temperatura favoráveis, produz esporos que podem ser espalhados por chuva, vento e operações mecanizadas.
Depois da infecção, o fungo pode atingir tecidos do colmo e avançar internamente, causando necrose e degradação. Em fases mais avançadas, o colmo perde resistência e pode quebrar próximo à base ou abaixo da espiga.
Diversos fatores interferem nesse processo. O estresse hídrico entre R1 e R3 é apontado como um deles, porque aumenta a necessidade de mobilização das reservas do colmo. O equilíbrio nutricional também tem papel importante. Excesso de nitrogênio pode favorecer tecidos mais tenros, enquanto a deficiência de potássio reduz a resistência mecânica e a capacidade de defesa da planta.
Doenças foliares severas também podem contribuir para o problema. Ferrugem polissora, mancha branca e cercosporiose estão entre os exemplos citados no conteúdo. Quando essas doenças reduzem a área foliar ativa, a planta depende mais das reservas do colmo para manter o enchimento dos grãos, aumentando sua vulnerabilidade.
Outro fator que exige atenção é a densidade de plantas. Populações muito elevadas podem aumentar a competição por água e nutrientes e favorecer condições de maior umidade dentro do dossel, que corresponde ao conjunto de folhas e estruturas das plantas que formam a cobertura da lavoura.
Os danos aparecem com maior clareza quando os colmos já estão fragilizados. Plantas quebradas ou acamadas dificultam a operação das colhedoras e podem provocar perda de espigas no campo.
Ventos e chuvas próximos à colheita representam um risco adicional para plantas com podridão avançada. Nessas condições, talhões fragilizados podem apresentar maior quantidade de plantas caídas antes da entrada das máquinas. Um dos desafios é perceber o problema antes desse estágio. A antracnose do colmo pode passar despercebida em avaliações realizadas somente à distância. Em muitos casos, o produtor observa o acamamento, mas a podridão interna precisa ser confirmada pela inspeção dos tecidos do colmo.
Por isso, o monitoramento entre R3 e R5 é indicado como ferramenta para avaliar o risco de quebramento. Uma das técnicas descritas é o teste de empurrar, em que plantas representativas são inclinadas lateralmente em aproximadamente 30 a 40 graus. Se quebrarem facilmente ou apresentarem colmos ocos e escurecidos, há indicação de nível elevado de podridão.
Outra alternativa é cortar longitudinalmente plantas suspeitas. A presença de tecido interno escuro, desfiado e com cavidades indica estágio avançado de deterioração. A avaliação pode ajudar na decisão de antecipar a colheita quando houver risco elevado de acamamento.
A prevenção começa antes do aparecimento dos sintomas. A escolha de híbridos mais tolerantes e com boa sanidade de colmo é apontada como uma das principais medidas. O material recomenda considerar resultados de ensaios oficiais e regionais, além de observar estabilidade e comportamento dos materiais em anos de maior estresse. Também orienta evitar a concentração da área em apenas um híbrido suscetível.
A nutrição é outro componente do manejo. Análises de solo e, quando possível, de tecido foliar ajudam no ajuste da adubação. O conteúdo destaca especialmente a necessidade de equilíbrio entre nitrogênio e potássio e a manutenção de teores adequados de potássio, nutriente relacionado à resistência do colmo e ao equilíbrio hídrico da planta.
A rotação de culturas também tem papel importante porque reduz a continuidade do hospedeiro e pode diminuir a quantidade de inóculo, nome utilizado para as estruturas do patógeno capazes de iniciar novas infecções.
