
O mercado de soja passou a operar com maior cautela diante das incertezas sobre a oferta mundial na safra 2026/27 e dos possíveis efeitos do El Niño sobre a produção, especialmente na América do Sul. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o movimento reduziu o interesse em negociações de grandes volumes, enquanto a demanda interna e chinesa permaneceu aquecida.
Segundo dados divulgados pela Conab, os detentores de estoques de soja no Brasil demonstraram uma postura mais cautelosa durante o período analisado. As dúvidas sobre o tamanho da oferta mundial na safra 2026/27 aumentaram as incertezas em relação à produção global, principalmente na América do Sul. Os possíveis efeitos do El Niño também contribuíram para esse cenário e reduziram o interesse em negociar volumes expressivos da oleaginosa.
Ao mesmo tempo, as indústrias moageiras brasileiras ampliaram o interesse pelas compras internas, em uma estratégia preventiva de recomposição dos estoques diante dos riscos de redução da oferta. No mercado externo, a China também manteve aquecida a procura pela soja.
As exportações brasileiras de soja em grão acumuladas até agosto de 2026 alcançaram 92,7 milhões de toneladas. Segundo dados divulgados pela Conab, o volume supera os 86,5 milhões de toneladas exportados no mesmo período do ano anterior. O Arco Norte respondeu por 38,85% das exportações nacionais até agosto, contra 37,98% no mesmo período do ano anterior. O Porto de Santos foi responsável por 34,4% do volume, praticamente estável em relação aos 34,3% registrados no mesmo período do ano anterior.
O Porto de Paranaguá respondeu por 13,3% das exportações nacionais de soja até agosto, acima dos 12,9% registrados no mesmo período do ano anterior. Já o Porto de São Francisco do Sul concentrou 5,1% do volume exportado, ante 5,2% no mesmo período de 2025. Segundo dados divulgados pela Conab, os principais Estados de origem das cargas destinadas à exportação foram Mato Grosso, Goiás, Paraná e Minas Gerais.
O mercado internacional de farelo de soja permaneceu pressionado em agosto devido ao aumento dos níveis de esmagamento da soja em grão nos principais países produtores. Segundo dados divulgados pela Conab, a demanda internacional evitou perdas mais intensas para o subproduto. No Brasil, o câmbio, os custos mais elevados da soja em grão e a demanda do segmento de proteína animal contribuíram para sustentar os preços do farelo.
As exportações acumuladas de farelo de soja chegaram a 17,3 milhões de toneladas até agosto de 2026. O volume representa avanço em relação aos 15,3 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano anterior.
Segundo dados divulgados pela Conab, o Porto de Santos respondeu por 44% do volume nacional exportado, contra 43,41% em igual período de 2025. Paranaguá participou com 26,4%, ante 29,2% no ano anterior. Rio Grande respondeu por 15,7%, contra 15,4%, enquanto Salvador concentrou 6,7%, ante 7,8% em igual período de 2025.
Os Estados de Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás aparecem como os principais originadores das cargas de farelo de soja destinadas ao mercado externo. O cenário combina aumento das exportações brasileiras de soja em grão e farelo com uma postura mais cautelosa dos detentores de estoques diante das incertezas sobre a oferta global. Ao mesmo tempo, a demanda interna das indústrias e as compras chinesas mantêm o mercado da oleaginosa aquecido.
