
O milho registrou valorização expressiva no mercado brasileiro em setembro, mesmo diante da redução das exportações nacionais. Em Sorriso, Mato Grosso, o preço médio alcançou R$ 54 por saca, alta de 14% em relação a agosto. O movimento foi favorecido pelas cotações internacionais, pelo câmbio e pelo ritmo de comercialização abaixo da média histórica.
De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o primeiro vencimento do milho na Bolsa de Chicago apresentou média de US$ 5,21 por bushel em setembro, crescimento de 11,2% na comparação mensal. Naquele período, o mercado reagiu à redução das estimativas de produção norte-americana e às dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Mar Negro.
Os riscos para o transporte de grãos na Ucrânia contribuíram para ampliar as incertezas no comércio internacional. Ataques à infraestrutura portuária comprometeram referências de exportação marítima no início de setembro, enquanto a perspectiva de menor produção na União Europeia também ofereceu sustentação aos preços.
No Brasil, parte dos produtores permaneceu concentrada na finalização da colheita e na implantação da safra de verão 2026/27. A comercialização em ritmo inferior à média histórica contribuiu para sustentar os valores domésticos, apesar do enfraquecimento dos embarques internacionais.
Entre fevereiro e setembro, as exportações brasileiras de milho somaram 15,5 milhões de toneladas, redução de 21,5% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O desempenho refletiu a menor competitividade do produto brasileiro e representou um fator limitante para novas valorizações no mercado interno.
O cenário internacional passou por uma mudança importante com a atualização de outubro do USDA. O órgão elevou a estimativa de produção de milho dos Estados Unidos para 407,3 milhões de toneladas na safra 2026/27, aumento de 5,9 milhões de toneladas em relação à projeção anterior. A produtividade prevista passou de 178,5 para 181,2 bushels por acre.
O aumento da produção, combinado à revisão dos estoques iniciais, ampliou a expectativa de disponibilidade do cereal. Os estoques finais norte-americanos foram elevados de 39,8 milhões para 47 milhões de toneladas, enquanto a relação entre estoques e consumo passou de 9,7% para 11,3%.
No balanço mundial, os estoques finais projetados pelo USDA chegaram a 280,4 milhões de toneladas, após revisão positiva de 8,3 milhões de toneladas. O aumento ocorreu principalmente em razão da maior disponibilidade nos Estados Unidos, apesar dos cortes nas estimativas de produção de outros países.
A evolução da colheita norte-americana e o desempenho das exportações dos Estados Unidos deverão exercer influência sobre os próximos movimentos dos preços. Para o Brasil, a análise do Itaú BBA indica que a maior oferta norte-americana poderá intensificar a concorrência nos destinos importadores, especialmente se o produto dos Estados Unidos mantiver sua competitividade.
