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Chuva atrasa manejo do trigo e eleva risco de doenças no RS

A cultura do trigo no Rio Grande do Sul mantém desenvolvimento dentro da normalidade, mas a baixa luminosidade e as chuvas frequentes têm limitado o crescimento e atrasado operações de manejo. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural de quinta-feira (27), a umidade elevada também aumenta o risco de doenças, especialmente giberela, nas áreas em floração.

O estádio fenológico predominante no Estado é o desenvolvimento vegetativo, que concentra 61% das lavouras. As áreas mais adiantadas estão em floração (28%), enchimento de grãos (10%) e maturação (1%).

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, nas áreas em floração, a combinação de elevada umidade relativa, nebulosidade e precipitações aumentou o risco de doenças da espiga, principalmente giberela. O cenário exige monitoramento para identificar possíveis infecções florais. Também foram observados sintomas de doenças foliares e oídio, sobretudo em lavouras com maior disponibilidade de nitrogênio. O excesso de umidade do solo tem restringido o acesso de máquinas, retardando aplicações de nitrogênio e produtos fitossanitários.

As geadas de intensidade variável registradas durante o período ainda não permitem dimensionar de forma consolidada eventuais danos, já que a maior parte das áreas permanece em estádios vegetativos. Apesar das restrições ambientais, as condições das lavouras são, de modo geral, satisfatórias, com potencial produtivo ainda preservado. A área projetada pela Emater/RS-Ascar para a Safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 kg/ha.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições de umidade variam entre as localidades. Em São Borja, na Fronteira Oeste, o desenvolvimento e a sanidade dos cultivos são considerados bons. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, as lavouras de São Borja estão distribuídas entre espigamento (30%), emborrachamento (50%) e alongamento dos colmos (20%). Na Campanha, o excesso de umidade dificulta a realização de adubações nitrogenadas e aplicações de herbicidas nas áreas de implantação mais tardia.

Em Caçapava do Sul, as primeiras lavouras implantadas chegaram à fase de floração e apresentam pequena redução do potencial produtivo em razão das condições climáticas. Até o momento, não foram registrados danos expressivos provocados pelas geadas. Em Caxias do Sul, a redução das precipitações e o aumento da luminosidade favoreceram a evolução das lavouras.

Nos Campos de Cima da Serra, temperaturas negativas e geadas expressivas coincidiram com o perfilhamento, fase em que as baixas temperaturas podem favorecer a emissão de perfilhos. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, continuam as operações de adubação nitrogenada em cobertura, controle de plantas invasoras e monitoramento fitossanitário.

Na região administrativa de Frederico Westphalen, 32% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 54% em florescimento e 14% em enchimento de grãos. Os produtores concentram esforços no manejo fitossanitário, principalmente com fungicidas, enquanto a elevada umidade do solo continua restringindo algumas operações mecanizadas.

Em Ijuí, a baixa luminosidade prejudicou o desenvolvimento das plantas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, foram observadas coloração pálida, amarelecimento no terço inferior, maior estatura, colmos finos e folhas estreitas. Também há incidência de oídio nas lavouras com maior disponibilidade de nitrogênio. O atraso das operações fitossanitárias fez com que os tratamentos fossem realizados nos períodos de maior insolação.

Geadas de média intensidade foram registradas no final do período em Ijuí, mas os danos ainda não puderam ser mensurados. Em Passo Fundo, as lavouras estão distribuídas entre afilhamento (20%), emborrachamento (65%) e espigamento (15%). Os produtores têm programado o controle fitossanitário conforme as condições ambientais.

Na região administrativa de Pelotas, 88% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo e 12% em início de florescimento. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, mais de 200 milímetros de chuva ocorreram em parte da região nas três últimas semanas de agosto. Associado à predominância de dias nublados e à baixa radiação solar direta, o excesso de chuva tem atrasado o desenvolvimento das plantas.

Em Santa Maria, aproximadamente 50% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 43% em floração e 5% em enchimento de grãos. Já em Santa Rosa, 52% dos cultivos estão em desenvolvimento vegetativo, 36% em floração, 11% em enchimento de grãos e 1% em maturação.

Em Santa Rosa, a umidade adequada e as temperaturas amenas favoreceram o crescimento vegetativo das lavouras. Por outro lado, a elevada proporção de áreas em antese aumenta o risco de incidência de giberela.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, as áreas em enchimento de grãos e maturação apresentam perspectiva produtiva satisfatória. Em Soledade, o excesso de umidade continua restringindo o acesso de máquinas e a realização dos tratos culturais.

As condições ambientais também favorecem a incidência de doenças fúngicas, com registros de sintomas de manchas foliares e ferrugens. Os produtores concentram os manejos principalmente na prevenção da giberela, considerando a necessidade de proteção contra infecções florais.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, 10% dos cultivos estão em perfilhamento, 60% em elongação do colmo e 30% em espigamento ou florescimento. Apesar do excesso hídrico, o quadro geral da cultura permanece dentro da normalidade.

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