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Mosca-branca no feijão: veja como proteger as vagens

A mosca-branca no feijão exige atenção redobrada durante o florescimento e a formação das vagens, fase decisiva para a produtividade. O manejo deve combinar monitoramento, medidas culturais, controle biológico e uso racional de Inseticidas para reduzir danos e preservar o potencial produtivo da lavoura.

A mosca-branca (Bemisia tabaci) pode ocorrer nas regiões produtoras de feijão ao longo de todo o ano, com maior pressão em ambientes quentes, secos e com baixa diversidade de plantas não hospedeiras. Sistemas intensivos e sucessões de culturas hospedeiras, como feijão, soja, algodão e hortaliças, também favorecem o aumento das populações da praga entre as safras.

No estádio reprodutivo, que vai do início do florescimento à maturação das vagens, o feijoeiro apresenta elevada sensibilidade a estresses. É nesse período que são definidos o pegamento das flores, a formação das vagens e o enchimento dos grãos.

A praga provoca danos diretos ao sugar a seiva das folhas e pode comprometer a fotossíntese. Além disso, excreta uma substância açucarada, conhecida como mela, que favorece o desenvolvimento de fumagina sobre folhas, hastes e vagens. A mosca-branca também transmite viroses capazes de provocar mosaicos, amarelecimentos, redução do porte e deformações das vagens. Depois que o vírus se instala na planta, não há controle curativo.

Em condições de alta infestação durante o florescimento e o enchimento das vagens, as perdas podem ocorrer pela redução do número de vagens por planta, do número de grãos por vagem e do peso de mil grãos. O ataque também pode favorecer o surgimento de grãos chochos e malformados. Quanto mais precoce for a infestação e maior o período de exposição da cultura a populações elevadas, maior tende a ser o impacto sobre a produtividade.

A fumagina formada sobre as vagens ainda pode prejudicar a aparência dos grãos, dificultar sua classificação e reduzir o valor comercial. O manejo reativo, baseado em aplicações sucessivas de inseticidas, também aumenta o custo de produção e pode favorecer a seleção de populações resistentes da praga.

O monitoramento deve começar ainda no estádio vegetativo e ganhar intensidade durante a transição para o florescimento e a formação das vagens. A recomendação técnica é realizar inspeções semanais, ou em intervalos menores durante períodos quentes e secos. A amostragem deve abranger diferentes pontos da área, incluindo bordaduras e interior dos talhões. A face inferior das folhas, principalmente nos terços médio e superior, deve receber atenção, já que é onde ocorre maior presença de ovos e ninfas. Além de adultos e ninfas, o produtor deve observar a ocorrência de mela, fumagina e sintomas associados a viroses.

A decisão de controle não deve considerar apenas um número fixo de insetos por folha. É necessário avaliar a tendência populacional, o percentual de plantas infestadas, o estádio fenológico, a presença de inimigos naturais e a intensidade dos sintomas. Na fase de florescimento e formação de vagens, os critérios de ação tendem a ser mais conservadores devido à importância dessa etapa para a produtividade.

O manejo integrado da mosca-branca busca combinar estratégias preventivas e corretivas para reduzir a dependência de inseticidas e retardar o desenvolvimento de resistência. Entre as medidas preventivas está a escolha de cultivares mais tolerantes às viroses transmitidas pela praga, quando esses materiais estiverem disponíveis.

O planejamento da época de plantio também pode ajudar a evitar a coincidência entre os picos populacionais da mosca-branca e o período de maior sensibilidade do feijoeiro.

Outra medida importante é eliminar plantas voluntárias de feijão, soja, algodão e outras culturas hospedeiras entre as safras. O controle de plantas daninhas também contribui para interromper a chamada “ponte verde” para a praga e os vírus. A adubação equilibrada deve evitar excessos de nitrogênio, enquanto o manejo adequado de potássio e micronutrientes contribui para manter o equilíbrio nutricional da planta.

A conservação de inimigos naturais é uma das ferramentas importantes do manejo da mosca-branca, especialmente durante a fase de vagens. Entre os agentes que podem atuar sobre a praga estão joaninhas, crisopídeos, parasitoides de ninfas, como Encarsia spp. e Eretmocerus spp., além de fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Lecanicillium lecanii. Quando o controle químico for necessário, a preferência por inseticidas seletivos pode ajudar a preservar esses organismos.

Também devem ser evitadas pulverizações desnecessárias ou combinações de produtos com elevada toxicidade aos inimigos naturais. Em algumas regiões existem produtos comerciais à base de fungos entomopatogênicos. O uso deve seguir as recomendações de rótulo e bula e considerar condições ambientais favoráveis à atuação desses microrganismos.

Quando o monitoramento indicar risco econômico, o controle químico pode ser necessário. Nesse caso, devem ser utilizados somente inseticidas registrados para a cultura e para o controle da mosca-branca. A escolha do produto deve considerar as recomendações atualizadas de rótulo e bula e o receituário agronômico emitido por profissional habilitado.

A alternância de grupos químicos, conforme os modos de ação recomendados, é importante para retardar a evolução da resistência. Também é necessário considerar o estágio da praga. Como ninfas são menos móveis, em determinadas situações elas podem ser um alvo mais eficiente do controle.

As aplicações devem ocorrer preferencialmente no início da elevação populacional, antes que a infestação alcance níveis elevados ou que as viroses provoquem danos irreversíveis.

A tecnologia de aplicação também interfere no resultado. É necessário garantir cobertura adequada da face inferior das folhas, ajustando volume de calda, pontas de pulverização e pressão. Na fase de vagens, o período de carência deve ser respeitado rigorosamente para evitar a presença de resíduos acima dos limites permitidos nos grãos.

O controle da mosca-branca não deve ser tratado de forma isolada. O manejo da irrigação, por exemplo, ajuda a reduzir os efeitos de estresses hídricos e melhora a capacidade de compensação da planta. As viroses transmitidas pela praga também podem se somar a doenças fúngicas e bacterianas. Por isso, práticas como rotação de culturas, espaçamento adequado, tratamento de sementes e uso de fungicidas quando necessários fazem parte de uma estratégia integrada.

A rotação também pode contribuir para diminuir a pressão da mosca-branca e de seus vírus ao longo do tempo. Já o manejo de plantas daninhas é fundamental porque diversas espécies espontâneas funcionam como hospedeiras da praga e de agentes virais.

Qualquer intervenção química ou biológica deve respeitar a legislação vigente sobre o uso de agrotóxicos e afins. Os produtos devem ser adquiridos somente em estabelecimentos registrados, com orientação técnica adequada. Rótulo, bula, dose, intervalo de aplicação e período de carência devem ser rigorosamente observados.

Os aplicadores devem utilizar os equipamentos de proteção individual adequados durante o preparo da calda, a aplicação e a lavagem dos equipamentos. As embalagens vazias devem ser descartadas conforme os programas de logística reversa e as normas ambientais. O registro das aplicações, incluindo produto, data, horário e condições climáticas, também ajuda no acompanhamento técnico e no planejamento das próximas safras.

Para reduzir os riscos, o produtor deve monitorar a população da mosca-branca desde o início do ciclo e intensificar as inspeções durante o florescimento e o enchimento das vagens. A identificação das espécies de plantas daninhas e dos estágios de desenvolvimento da praga deve orientar as decisões de manejo.

Também é importante eliminar plantas voluntárias e hospedeiras, conservar inimigos naturais, alternar modos de ação dos inseticidas e ajustar a tecnologia de aplicação para atingir a face inferior das folhas. O período de carência precisa ser observado rigorosamente, principalmente quando houver aplicações próximas à colheita.

A estratégia deve ainda ser integrada ao manejo da irrigação, adubação, doenças, plantas daninhas e rotação de culturas. A definição dos níveis de ação e das táticas de controle deve considerar as condições locais e contar com acompanhamento de engenheiro(a) agrônomo(a).

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