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Feijão: adubação correta começa antes do plantio

A adubação de base no plantio do feijão é uma das etapas mais importantes para estabelecer uma lavoura uniforme e com potencial produtivo. Como a cultura tem sistema radicular relativamente superficial e ciclo curto, erros na nutrição inicial podem reduzir o estande, atrasar o desenvolvimento e comprometer a produtividade.

Por isso, o ajuste da adubação deve partir da análise de solo, e não de receitas prontas. A ferramenta permite identificar as condições de fertilidade da área e definir as necessidades de correção e de fornecimento de nutrientes de acordo com o tipo de solo, o sistema de cultivo e a expectativa de produtividade.

A análise de solo permite avaliar a necessidade de calagem ou gessagem agrícola antes do plantio, considerando parâmetros como pH, saturação por bases e alumínio trocável. O resultado também orienta as doses de fósforo e potássio e ajuda a planejar o fornecimento de nitrogênio durante o ciclo.

Entre os principais parâmetros avaliados estão o pH em água ou CaCl₂, o alumínio trocável, o H+Al, os teores de cálcio e magnésio, o potássio trocável, o fósforo disponível, a matéria orgânica, a capacidade de troca de cátions e a saturação por bases.

Esses resultados são utilizados nas tabelas oficiais de recomendação de adubação para enquadrar o solo em classes de fertilidade e, a partir disso, indicar as faixas mais adequadas para a cultura do feijão.

De modo geral, quanto menores forem os teores de fósforo e potássio no solo, maior tende a ser a necessidade de reposição desses nutrientes na adubação de base. Em áreas com níveis médios ou altos, as doses recomendadas podem ser menores, considerando o estoque já existente no solo.

O tipo de solo também interfere nessa definição. Em solos arenosos, com baixa matéria orgânica e baixa capacidade de troca de cátions, pode haver maior necessidade de reposição de nutrientes, mas também maior atenção às perdas por lixiviação.

Já em solos argilosos e com maior teor de matéria orgânica, a capacidade de retenção de nutrientes tende a ser maior. Mesmo nessas condições, a adubação deve seguir as recomendações oficiais e as características específicas da área.

Em sistemas irrigados e de alta produtividade, a demanda nutricional tende a ser maior. Por isso, é importante trabalhar com uma análise de solo atualizada e estabelecer metas de produtividade compatíveis com o potencial da lavoura.

No cultivo de feijão em sequeiro, especialmente em regiões com chuvas concentradas, o momento da adubação também precisa ser planejado. A expectativa de chuva após o plantio favorece a dissolução dos fertilizantes e a absorção dos nutrientes pelas plântulas.

O fósforo merece atenção especial na adubação de base. O nutriente participa do desenvolvimento inicial das raízes, do crescimento dos ramos, da formação de nódulos relacionados à fixação biológica de nitrogênio e do enchimento dos grãos.

Como apresenta baixa mobilidade no solo, o fósforo normalmente deve ser posicionado próximo à semente, no sulco de plantio. A dose, porém, precisa considerar o teor de P disponível indicado na análise e a meta de produtividade da área.

A definição da quantidade de P₂O₅ também depende da classe de fertilidade estabelecida pelas tabelas oficiais. A fonte utilizada pode ser superfosfato simples, superfosfato triplo ou uma formulação NPK, de acordo com a necessidade de outros nutrientes e a estratégia de manejo.

Em solos com níveis muito baixos de fósforo, a estratégia pode incluir uma correção mais ampla, planejada ao longo de safras anteriores ou dentro do sistema de rotação de culturas.

O potássio também precisa ser ajustado conforme a análise de solo. O nutriente está relacionado à resistência da planta a estresses como seca, calor e doenças, além de participar da regulação dos estômatos e do enchimento das vagens e dos grãos.

Para definir a adubação potássica, o produtor deve considerar o teor de K trocável, a expectativa de produtividade e o histórico de extração do nutriente por culturas anteriores, como feijão, milho, soja e forrageiras.

A quantidade de K₂O deve seguir as faixas indicadas nas tabelas oficiais. Em solos muito arenosos e com baixa capacidade de retenção, parte do potássio pode ser fornecida em cobertura para reduzir perdas e manter o nutriente disponível durante o ciclo.

A fonte utilizada pode ser o cloreto de potássio ou formulações NPK, considerando a compatibilidade da mistura e as características de salinidade de solos mais sensíveis.

O nitrogênio apresenta outra dinâmica. Embora seja um nutriente muito exigido pelo feijoeiro, a maior parte da adubação nitrogenada costuma ser aplicada em cobertura durante os estádios de crescimento vegetativo.

No plantio, pode ser utilizada uma pequena fração de nitrogênio ou, dependendo das condições da área, nenhuma aplicação. A decisão considera o teor de matéria orgânica, o histórico de adubação, as culturas anteriores, o uso de inoculantes específicos para feijão, a meta de produtividade e o nível tecnológico da lavoura.

Quando uma pequena quantidade de nitrogênio é aplicada na base, o objetivo pode ser favorecer o desenvolvimento inicial até que a fixação biológica de nitrogênio esteja bem estabelecida. O excesso do nutriente, por outro lado, pode estimular o crescimento vegetativo em detrimento da formação de vagens e aumentar os riscos de acamamento e doenças.

A análise de solo também orienta as correções com cálcio e magnésio. A aplicação de calcário pode elevar o pH e fornecer esses nutrientes, enquanto o gesso agrícola pode ser utilizado em profundidade quando houver indicação técnica.

O enxofre participa da síntese de proteínas e da eficiência da fixação de nitrogênio. Em solos arenosos ou com baixo teor de matéria orgânica, pode haver necessidade de suplementação, conforme os resultados da análise.

Micronutrientes como zinco, molibdênio e boro também podem integrar o manejo. Dependendo das condições da área, esses nutrientes podem ser fornecidos na adubação de base, no tratamento de sementes ou em aplicações foliares.

Além da dose, o posicionamento do fertilizante precisa ser observado. Doses elevadas em contato direto com a semente podem prejudicar a germinação, especialmente quando o solo está seco.

O adubo deve ser distribuído uniformemente no sulco ou posicionado ligeiramente abaixo ou ao lado da semente, conforme as orientações técnicas e as características da semeadora-adubadora.

A regulagem do equipamento também é importante para manter a profundidade adequada da semente e do fertilizante e evitar falhas ou concentrações excessivas em determinados pontos da linha.

No plantio direto, a presença e a distribuição da palha também precisam ser consideradas, pois os resíduos podem interferir na posição e na incorporação dos fertilizantes.

Em áreas irrigadas ou quando há previsão de chuva logo após a semeadura, a dissolução do fertilizante na zona radicular tende a ocorrer mais rapidamente. Em solo muito seco, porém, o produto pode permanecer pouco disponível até que haja umidade suficiente para sua solubilização e difusão.

A época de plantio também influencia o planejamento nutricional. O feijão é cultivado em diferentes períodos do ano, com mudanças nas temperaturas, no regime de chuvas e no risco de doenças.

Em épocas com maior possibilidade de estresse hídrico, o produtor pode trabalhar com metas de produtividade mais moderadas e ajustar a adubação de base ao potencial da área. Em períodos com chuvas bem distribuídas ou disponibilidade de irrigação, metas maiores podem exigir maior reposição de nutrientes.

Em áreas com rotação de culturas durante o ano, também é necessário considerar os nutrientes fornecidos pelas lavouras anteriores. A sucessão de soja, milho e feijão, por exemplo, exige atenção para evitar sobreposição exagerada de adubação na mesma camada do solo.

Independentemente do mês de plantio, a análise de solo atualizada e a consulta às tabelas oficiais de recomendação são as principais referências para um manejo nutricional adequado.

A coleta das amostras precisa representar corretamente a área e ser realizada na profundidade recomendada. Depois da análise em laboratório, o produtor pode utilizar o laudo para classificar os níveis de fósforo e potássio e definir as faixas de adubação indicadas para a cultura.

O ajuste também deve considerar se a lavoura é conduzida em solo arenoso ou argiloso, em sistema de sequeiro ou irrigado, além da meta de produtividade.

Durante o ciclo, o acompanhamento da lavoura ajuda a verificar se o manejo inicial está respondendo conforme o esperado. A avaliação das condições do solo, do desenvolvimento das plantas e da disponibilidade de nutrientes permite ajustar as etapas seguintes da adubação.

A definição de doses específicas de fertilizantes para o feijão deve seguir as tabelas regionais de recomendação, as informações de rótulo e bula dos produtos e o receituário agronômico, sempre considerando as características de cada lavoura.

Em caso de dúvida na interpretação do laudo ou na definição do programa nutricional, a recomendação é buscar orientação de um engenheiro agrônomo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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