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Rota pelo Oeste de MT é alternativa para ampliar competitividade do agro

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) avalia como estratégica a criação do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A portaria foi assinada nesta terça-feira (23/06), em Brasília, pelo ministro André de Paula.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer a integração produtiva, logística e comercial entre Brasil e Bolívia, ampliando as alternativas de escoamento da produção agropecuária brasileira até os portos do Oceano Pacífico. Para Mato Grosso, maior produtor agropecuário do Centro-Oeste e estado fronteiriço com a Bolívia, o programa representa uma oportunidade de reduzir distâncias, diminuir custos logísticos e aumentar a competitividade dos produtos no mercado internacional, especialmente na Ásia.

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, participou do evento e destacou que a nova rota atende a uma demanda histórica do setor produtivo mato-grossense. “Esse era um momento esperado há vários anos. Mato Grosso é distante dos mercados, dos portos e das principais saídas para exportação. A integração com a Bolívia abre mais uma rota de escoamento pelo oeste do Estado e pode alavancar não só essa região, mas toda a economia agropecuária mato-grossense”, afirmou.

O programa prevê a consolidação de corredores logísticos transfronteiriços, com destaque para a ligação a partir do oeste de Mato Grosso. A proposta insere a região de Vila Bela da Santíssima Trindade como ponto estratégico de escoamento, dentro da chamada Rota 3/Rondon, conectando a produção estadual ao território boliviano e, posteriormente, aos portos do Pacífico.

A medida pode facilitar o transporte de grãos, carnes e outros produtos agropecuários, criando uma alternativa às rotas tradicionais utilizadas atualmente pelo setor. A expectativa é que o novo corredor ajude a reduzir gargalos logísticos, encurtar distâncias e ampliar a eficiência no transporte da produção.

Segundo Vilmondes Tomain, a iniciativa também fortalece a cooperação econômica entre Brasil e Bolívia. Além do escoamento da produção, a integração poderá ampliar o acesso a insumos importantes para o agronegócio, como fertilizantes, e estimular o desenvolvimento de novas oportunidades produtivas na região de fronteira.

“Essa integração é positiva para os dois lados. Mato Grosso tem tecnologia, produtores preparados e grande capacidade produtiva. A Bolívia também tem muito a oferecer, especialmente em insumos que interessam ao nosso setor. É uma relação que pode gerar desenvolvimento, segurança e oportunidades para toda a região”, ressaltou o presidente da Famato.

Vilmondes também destacou que o Estado já tem avançado em ações de infraestrutura para viabilizar a rota, como a pavimentação de trechos até a divisa com a Bolívia e a articulação para consolidar a conexão em território boliviano, especialmente em direção a San Ignacio.

“O Estado já começou a trabalhar nesse caminho, com obras até a divisa com a Bolívia, saindo de Vila Bela. Agora, o desafio é consolidar também o trecho do lado boliviano. Essa rota pode atender à demanda de Mato Grosso, ajudar no escoamento da produção e abrir novas oportunidades para os dois países”, disse.

A criação do programa também foi defendida como uma medida capaz de estimular investimentos em infraestrutura, facilitar o comércio internacional e promover a cooperação técnica e sanitária entre os países. Entre os eixos previstos estão apoio à logística, facilitação regulatória, promoção comercial e atração de investimentos.

Para a Famato, a abertura de novas alternativas logísticas é fundamental para garantir maior eficiência ao agronegócio mato-grossense. Atualmente, a distância até os portos brasileiros representa um dos principais desafios para a competitividade da produção do Estado.

“Falar em distância é falar em Mato Grosso. Estamos longe dos insumos e também longe dos portos para entregar nossos produtos. Por isso, cada nova alternativa logística representa ganho para o produtor rural e para o desenvolvimento do Estado”, completou.

A operacionalização do programa será regulamentada pela Secretaria-Executiva do Mapa, com a criação de um Comitê Gestor. A medida marca mais um passo na busca por novos corredores de exportação e pela integração regional entre Brasil, Bolívia e os mercados do Pacífico.

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