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Goiás deve ampliar produção de grãos em 2026/27

Goiás deve produzir 20,3 milhões de toneladas de soja e 12,4 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 15 de outubro, no primeiro levantamento do ciclo. Apesar da perspectiva de crescimento para as principais culturas, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas exigem atenção dos produtores no início do plantio. A produção brasileira de grãos está estimada em 367,14 milhões de toneladas, alta de 1,4% em relação à safra anterior. Em Goiás, o destaque é o milho, com previsão de aumento de 19,7% na produção, enquanto as estimativas para feijão e algodão apontam recuos.

A produção de soja em Goiás deve crescer 0,8% na safra 2026/27, alcançando 20,3 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela Conab. A área plantada está estimada em 5,2 milhões de hectares, avanço de 0,9%, enquanto a produtividade deve ficar em 3.908 quilos por hectare, praticamente estável. O estado deve responder por aproximadamente 11,2% da produção brasileira de soja, estimada em 181,61 milhões de toneladas. O resultado reforça a importância de Goiás para o abastecimento nacional e o fornecimento de matéria-prima à agroindústria.

A distribuição das áreas cultivadas entre as culturas pode sofrer ajustes conforme as condições de mercado e a demanda industrial. Em Cristalina, há perspectiva de leve ampliação da área destinada à soja. Já em São João d’Aliança, parte das lavouras poderá ser direcionada ao milho.

O plantio começou de forma pontual, principalmente em áreas irrigadas e em talhões de sequeiro com umidade suficiente no solo. Conforme o acompanhamento de campo da Conab de 12 de outubro, cerca de 7% da área prevista estava semeada, abaixo da média histórica de 10% para o período.

A irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas aumentam a necessidade de monitoramento das condições do solo, especialmente durante a germinação e a emergência das plantas. A disponibilidade de água nessa fase também influencia o estabelecimento das lavouras e a necessidade de eventuais replantios.

O milho apresenta a perspectiva de maior crescimento entre as principais culturas de Goiás na safra 2026/27. A produção estadual está estimada em 12,4 milhões de toneladas, aumento de aproximadamente 2,04 milhões de toneladas, ou 19,7%, em relação ao ciclo anterior, segundo dados divulgados pela Conab. A área destinada à primeira safra deve crescer 26,2%, chegando a 188 mil hectares. A produção está projetada em 1,974 milhão de toneladas, avanço de 27,3%.

A expansão da indústria de etanol de milho fortalece a demanda pelo cereal e pode influenciar as decisões dos produtores sobre a distribuição das áreas entre as diferentes culturas.

Para a segunda safra, a estimativa é de 1,8 milhão de hectares, crescimento de 3,1%. A produção deve alcançar 10,4 milhões de toneladas, alta de 18,4%, com produtividade projetada em 5.774 quilos por hectare, aumento de 14,9%.

Apesar das perspectivas positivas, o desempenho do milho segunda safra dependerá das condições climáticas e do calendário de colheita da soja. Atrasos na semeadura da oleaginosa podem reduzir a janela disponível para o plantio do cereal e ampliar a exposição das lavouras a períodos de menor disponibilidade hídrica.

As projeções para feijão e algodão em Goiás indicam redução da produção na safra 2026/27, segundo dados divulgados pela Conab. Para o feijão, a estimativa é de 295,9 mil toneladas, queda de 4,3% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada deve recuar 2,7%, para 123,6 mil hectares.

O desempenho varia conforme a época de cultivo. A primeira safra apresenta expectativa de ganho de produtividade, enquanto a produção da segunda safra deve cair para 29,7 mil toneladas, redução de 16,1%. Para a terceira safra, a projeção é de 172,9 mil toneladas. A disponibilidade de água e o manejo fitossanitário permanecem entre os fatores determinantes para o resultado da cultura, principalmente nas áreas irrigadas.

No algodão, a área plantada deve alcançar 30,5 mil hectares, crescimento de 2,7%. Entretanto, a produtividade menor deve limitar a produção de algodão em caroço a 81,9 mil toneladas, queda de 8,7%. A produção de pluma está estimada em 54,6 mil toneladas, recuo de 8,8%. O início do plantio do algodão é esperado a partir de novembro, condicionado à umidade do solo nas diferentes regiões produtoras.

As condições climáticas estão entre os principais pontos de atenção para o avanço da safra 2026/27 em Goiás. A distribuição das chuvas tem ocorrido de forma desigual entre as regiões produtoras, afetando a recuperação da umidade do solo. Em setembro, temperaturas próximas de 39 °C e precipitações esparsas limitaram a recuperação da umidade no Leste goiano. No Sudoeste, os acumulados informados de 130 milímetros em Mineiros e 100 milímetros em Rio Verde favoreceram parcialmente o armazenamento de água no solo.

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada em 14 de outubro para o período de 14 a 21 de outubro, indicava a continuidade da distribuição irregular das chuvas no Centro-Oeste. Nesse cenário, acompanhar as condições meteorológicas é fundamental para orientar o avanço da semeadura, reduzir os riscos no estabelecimento das lavouras e planejar as operações agrícolas.

No cenário nacional, a Conab estima que a produção de grãos alcance 367,14 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 1,4% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada deve chegar a 85,41 milhões de hectares, crescimento de 2,3%, enquanto a produtividade média está projetada em 4.299 quilos por hectare, redução de 0,9%. A soja deve atingir 181,61 milhões de toneladas no país. Para o milho, considerando as três safras, a previsão é de 148 milhões de toneladas.

Em Goiás, as estimativas iniciais indicam manutenção da relevância da soja e expansão expressiva do milho, impulsionada também pela demanda da indústria de etanol. Em contrapartida, feijão e algodão apresentam perspectivas de redução na produção.

A confirmação das projeções dependerá da regularização das chuvas, do desenvolvimento das lavouras e do cumprimento das janelas de plantio. Os próximos levantamentos da Conab, os boletins meteorológicos e a evolução da semeadura serão importantes para avaliar os riscos ao longo do ciclo, especialmente na relação entre o calendário da soja e a implantação do milho segunda safra.

Com informações do Faeg*

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