
As chuvas intensas registradas no Sul do Brasil reacenderam a atenção sobre a relação entre o El Niño e a reorganização da circulação atmosférica no Pacífico. A avaliação é de Sergio Cardoso, analista da cadeia de rice, que aponta a Zona de Convergência do Pacífico Sul, a ZCPS, como um dos elementos que ajudam a entender esse cenário.
A ZCPS é uma extensa faixa de nebulosidade, convecção e chuvas que atravessa diagonalmente o Pacífico Sul tropical. Seu comportamento responde às mudanças na circulação do oceano e da atmosfera e pode indicar alterações no acoplamento entre esses dois sistemas.
Na análise, não é possível afirmar que a ZCPS tenha provocado diretamente as chuvas torrenciais observadas no Norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os sistemas meteorológicos que atuaram sobre a região foram os responsáveis imediatos pelo evento. A questão, porém, está nos efeitos mais amplos da circulação do Pacífico.
Em situações de El Niño, essa reorganização pode modificar jatos, o transporte de umidade e a trajetória dos sistemas meteorológicos, favorecendo períodos de maior precipitação no Sul do Brasil, no Uruguai e em partes da Argentina.
O tema ganha importância com a implantação da safra 2026/27. Na Fronteira Oeste gaúcha, a semeadura avançou até agora sem uma manifestação tão evidente das chuvas associadas ao El Niño, mas os episódios registrados mais ao norte reforçam a necessidade de acompanhamento.
Para a cadeia do arroz, a análise também amplia o olhar para além do Niño 3.4. Indicadores como SOI, MJO, ZCPS, jato subtropical, frequência das chuvas e luminosidade em outubro e novembro entram no radar. As próximas semanas devem mostrar se os sinais do El Niño começam a aparecer de forma mais clara na atmosfera da região.
