
The harvest of wheat no Rio Grande do Sul entra em uma fase decisiva, mas enfrenta efeitos de geadas, excesso de chuva e doenças de espiga. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (1º), 57% das lavouras estão em enchimento de grãos, enquanto a giberela ganha força em áreas com alta umidade.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, as lavouras apresentam distribuição fenológica heterogênea, com 19% da área em floração e 57% em enchimento de grãos. A maturação fisiológica alcança 21% da área cultivada, enquanto a colheita foi realizada em 1% dos cultivos.
A alternância entre períodos de chuva intensa, nebulosidade e janelas de maior radiação solar tem condicionado o desenvolvimento das plantas. Nas áreas em floração e espigamento, a manutenção da umidade elevada favorece doenças de espiga, principalmente a giberela, que apresenta incidência expressiva em parte das lavouras.
O desempenho da cultura continua bastante variável, influenciado pelas intempéries e pelo nível tecnológico empregado. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, já existem registros iniciais de rendimento abaixo do esperado. As geadas ocorridas em setembro reduziram o potencial produtivo em áreas atingidas, principalmente por interrupções no enchimento dos grãos e problemas de fecundação.
Também foram observados danos localizados provocados por granizo e vendavais, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Noroeste do Estado. A extensão dos prejuízos ainda está sendo quantificada. Para a Safra 2026, a área projetada pela Emater/RS-Ascar é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 kg/ha.
Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, as lavouras apresentam melhores condições após períodos de menor precipitação e maior disponibilidade de radiação solar. Em São Borja, a condição sanitária é considerada satisfatória. Na Campanha, porém, 57% dos 9.600 hectares cultivados estão em floração, fase com risco de giberela devido aos episódios de chuvas volumosas.
A elevada umidade do solo também tem limitado o acesso de máquinas para aplicações fitossanitárias. Em Hulha Negra, aproximadamente 40 hectares foram acamados por causa de vendaval. Na região de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão em espigamento, estágio de elevada sensibilidade às doenças. A frequência e o volume das chuvas dificultam a entrada de máquinas para aplicação de fungicidas.
Na região de Frederico Westphalen, 5% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 10% em floração, 60% em enchimento de grãos, 23% em maturação e 2% já foram colhidas.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a incidência de giberela é expressiva e tem concentrado os trabalhos de campo na aplicação de fungicidas. Em Ijuí, 15% dos cultivos estão em maturação e início da colheita. As geadas de 7 e 8 de setembro interromperam o desenvolvimento dos grãos e provocaram falhas de fecundação em parte das áreas, reduzindo o potencial produtivo.
Nas lavouras que não foram atingidas pelas geadas, o desenvolvimento e o número de grãos são considerados satisfatórios. Ao mesmo tempo, aumentou a incidência de doenças de espiga, principalmente giberela e fusarium. Na Região Celeiro, em Tenente Portela, as primeiras áreas colhidas apresentaram rendimento de 2.280 kg/ha, com peso do hectolitro de 74, abaixo do esperado inicialmente.
Na região de Passo Fundo, os cultivos estão integralmente em enchimento de grãos. Os produtores acompanham as condições meteorológicas devido aos impactos sobre o manejo fitossanitário. Em Pelotas, 22% da área está em desenvolvimento vegetativo, 60% em florescimento e 18% em enchimento de grãos.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a sequência de dias nublados, chuvas frequentes e baixa disponibilidade de radiação solar desde agosto atrasou o desenvolvimento das plantas. Na região de Santa Maria, as chuvas intensas afetaram principalmente as lavouras em floração e espigamento. O granizo provocou perdas severas em diferentes municípios. Em Santiago, aproximadamente 200 hectares tiveram perda praticamente total. Em São Francisco de Assis, foram atingidos pelo menos 150 hectares. Também foram registradas perdas em Capão do Cipó, Jari e Tupanciretã.
Na região de Santa Rosa, a distribuição fenológica é de 1% em desenvolvimento vegetativo, 7% em floração, 63% em enchimento de grãos, 26% em maturação e 3% colhidas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a elevada umidade registrada em períodos anteriores favoreceu doenças de espiga. Ventos e granizo também provocaram perdas em parte das lavouras. A extensão dos prejuízos ainda está sendo levantada. Na região de Soledade, os cultivos apresentam condição satisfatória apesar das chuvas intensas das semanas anteriores. A alternância entre precipitações concentradas e períodos de tempo firme, incluindo cinco dias de elevada radiação solar na última semana, favoreceu a evolução da cultura.
Os manejos fitossanitários estão concentrados nas áreas de implantação tardia, onde há incidência de manchas foliares, ferrugem, oídio e, sobretudo, giberela. A distribuição fenológica é de 5% em espigamento e floração, 90% em enchimento de grãos e 5% iniciando a maturação fisiológica. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, há lavouras com elevado potencial produtivo convivendo com áreas de padrão tecnológico apenas razoável.
O preço do trigo também apresentou alta no levantamento semanal da Emater/RS-Ascar. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, o valor médio da saca de 60 quilos subiu 2,56% no Estado, passando de R$ 71,94 para R$ 73,78, considerando produto com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o trigo disponível está cotado em R$ 82,00 por saca.
