As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 16,6 bilhões em abril de 2026, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo levantamento do relatório Radar Agro, da Consultoria Agro Itaú BBA, o resultado representa o segundo melhor desempenho mensal da série histórica, atrás apenas de maio de 2023.
Photo: Claudio Neves/Ports of Paraná
O principal motor do avanço foi o complexo soja. As exportações de soja em grão somaram 16,7 milhões de toneladas, maior volume embarcado no ano, gerando receita de US$ 7 bilhões. O preço médio atingiu US$ 416 por tonelada, alta anual de 8,4%. “No complexo soja, as exportações avançaram com o aumento da disponibilidade”, destaca a Consultoria Agro Itaú BBA no relatório.
O farelo de soja também registrou crescimento. O volume exportado avançou 13% frente a abril de 2025, totalizando 2,4 milhões de toneladas. Já o óleo de soja teve retração de 7,8% nos embarques, mas acumulou o quinto mês consecutivo de valorização nos preços, alcançando US$ 1.191 por tonelada, avanço anual de 15%.
Carne bovina tem alta puxada pela China
Entre as proteínas animais, a carne bovina in natura foi um dos principais destaques do mês. O volume exportado cresceu 4,3% na comparação anual, atingindo 252 mil toneladas. Desse total, 135 mil toneladas tiveram a China como destino, equivalente a 54% dos embarques brasileiros.

Além do volume, os preços também avançaram. O valor médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.241 por tonelada, alta de 24% frente a abril de 2025 e de 7,3% em relação a março deste ano. “A China pagou mais pela carne e influenciou a alta dos preços”, aponta a Consultoria Agro Itaú BBA.
Na carne suína in natura, os embarques cresceram 9,7% na comparação anual, totalizando 121 mil toneladas. Os preços, porém, ficaram praticamente estáveis em US$ 2.497 por tonelada.
As exportações de carne de frango in natura somaram 417 mil toneladas, alta de 2,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, com preços médios de US$ 1.949 por tonelada.
Algodão dispara em volume, mas preços recuam
O algodão em pluma registrou um dos maiores crescimentos de volume entre os produtos monitorados pelo relatório. Os embarques atingiram 348 mil toneladas, avanço de 55% na comparação anual.
Photo: Claudio Neves/Ports of Paraná
Apesar do forte crescimento nas exportações, os preços seguem em trajetória de queda. O valor médio do algodão exportado recuou 7,3% frente a abril de 2025, para US$ 1.513 por tonelada, marcando o sétimo mês consecutivo de desvalorização.
No complexo sucroenergético, o açúcar VHP teve alta de 1,2% no volume exportado, mas os preços caíram 23% na comparação anual. Já o etanol registrou queda de 50% nos embarques frente a abril do ano passado.
Os dados consolidados do primeiro quadrimestre mostram que a soja em grão liderou a pauta exportadora do agro, com receita acumulada de US$ 16,5 bilhões entre janeiro e abril. Na sequência aparecem carne bovina in natura, com US$ 5,5 bilhões, e café verde, com US$ 4,1 bilhões exportados no período.
