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Faelo de soja registra valorização

O farelo de soja apresentou forte valorização no mercado brasileiro durante setembro, impulsionado pela demanda externa, pelo câmbio e pela menor disponibilidade regional no período de entressafra. Em Rondonópolis, Mato Grosso, a média alcançou R$ 1.929 por tonelada, avanço de 13,3% em relação a agosto, segundo o boletim Agro Mensal do Itaú BBA.

No mercado internacional, o primeiro vencimento do farelo na Bolsa de Chicago registrou preço médio de US$ 356 por tonelada, alta mensal de 12,4%. A valorização refletiu o consumo firme de proteína destinada à alimentação animal, a recuperação dos preços da soja em grão e as preocupações relacionadas ao andamento da colheita norte-americana.

A menor disponibilidade do produto em algumas regiões brasileiras contribuiu para elevar os custos de reposição. Ao mesmo tempo, a posição mais firme das indústrias sustentou as negociações, enquanto compradores domésticos concentraram as aquisições nas necessidades de curto prazo.

O óleo de soja também registrou valorização, embora em intensidade menor. Na Bolsa de Chicago, a cotação média atingiu 69,3 centavos de dólar por libra-peso em setembro, crescimento de 0,6% em relação ao mês anterior. O desempenho foi influenciado pela demanda para biocombustíveis e pelo comportamento dos preços do petróleo.

Em Mato Grosso, o óleo de soja alcançou média de R$ 6.271 por tonelada, alta mensal de 4%. A valorização foi sustentada pelo câmbio, pelo encarecimento da matéria-prima e pelo consumo doméstico destinado à produção de biodiesel.

As perspectivas para os derivados, entretanto, apresentam diferenças. De acordo com o Itaú BBA, o crescimento projetado do esmagamento de soja na Argentina e na Tailândia deverá ampliar a disponibilidade internacional de farelo. A expansão argentina merece atenção porque o país ocupa posição de destaque nas exportações mundiais do produto.

Parte dessa oferta adicional poderá ser absorvida pela demanda relacionada à produção de proteínas animais. O crescimento do consumo de ração tende a limitar pressões mais intensas sobre os preços, embora a maior concorrência internacional represente um desafio para o farelo brasileiro.

No mercado de óleos vegetais, o principal fator de atenção é a redução da produção de óleo de palma na Indonésia. O USDA diminuiu sua estimativa em 2,2 milhões de toneladas, para 45 milhões de toneladas, devido à seca prolongada em Sumatra e Kalimantan. A produtividade projetada foi reduzida em 5% em relação à estimativa anterior.

A menor disponibilidade indonésia poderá favorecer a substituição do óleo de palma por outros óleos vegetais, incluindo soja, canola e girassol. Para o óleo de soja, o Itaú BBA aponta que esse movimento tende a oferecer sustentação às cotações, enquanto o farelo permanece mais exposto ao aumento da concorrência internacional.

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