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Broca-do-café: monitoramento no pós-colheita ajuda a reduzir riscos

A broca-do-café pode permanecer ativa entre outubro e abril em frutos remanescentes nas plantas ou caídos no solo, mantendo a praga na lavoura após a colheita. O monitoramento nesse período ajuda a identificar áreas com maior infestação e orientar o manejo da próxima safra.

Em regiões produtoras como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo, frutos verdes, secos e chochos que permanecem no cafezal podem servir de abrigo para Hypothenemus hampei. Sem acompanhamento adequado, a praga pode completar novos ciclos durante a entressafra.

Por que monitorar a broca-do-café depois da colheita?

A broca-do-café é um pequeno besouro que perfura o fruto e se desenvolve em seu interior, alimentando-se principalmente da semente. A fêmea adulta faz um orifício, constrói galerias e deposita os ovos dentro do fruto.

Larvas, pupas e novos adultos completam o ciclo protegidos no interior do café. Essa condição dificulta a ação de fatores climáticos, inimigos naturais e alguns métodos de controle.

Após a colheita, a disponibilidade de frutos determina a capacidade de permanência da praga na lavoura. Quanto maior a quantidade de frutos secos, chochos ou caídos, maior é a oferta de abrigo para a broca.

Em lavouras onde a colheita foi bem realizada, com poucas sobras de frutos, a população tende a diminuir. Ainda assim, alguns frutos remanescentes podem permitir a sobrevivência do inseto.

As condições climáticas também interferem nesse processo. Em regiões com chuvas regulares entre outubro e abril, os frutos remanescentes podem manter umidade interna suficiente para favorecer o desenvolvimento da broca.

Como reconhecer frutos atacados pela praga

A identificação dos frutos brocados é uma das primeiras etapas do monitoramento. No período pós-colheita, porém, a presença de frutos secos, escurecidos ou murchos pode dificultar a visualização dos danos.

Um dos principais sinais é o furo de entrada, geralmente localizado no terço médio do fruto ou próximo à inserção do pedúnculo. Em frutos mais secos, o orifício pode apresentar aparência ligeiramente maior ou bordas irregulares.

Outro indicativo é a presença de resíduos próximos ao furo. A serragem fina e escura, conhecida como frass, pode ficar aderida ao orifício ou em fendas do fruto.

O teste com água também pode auxiliar. Muitos frutos atacados com dano interno avançado tendem a flutuar devido à perda de massa interna. Esse procedimento, porém, é apenas uma indicação auxiliar e não substitui a confirmação do ataque.

Abertura dos frutos confirma a infestação

Quando houver suspeita, uma amostra dos frutos deve ser aberta para confirmar o ataque. O corte pode ser feito transversalmente, passando pelo furo quando possível.

No interior, devem ser procuradas galerias, ovos, larvas esbranquiçadas, pupas ou adultos escuros. Mesmo quando os insetos já deixaram o fruto, a presença das galerias internas confirma que houve ataque da broca.

É importante diferenciar esses danos de ferimentos mecânicos e rachaduras provocadas por condições de seca ou chuva. Nesses casos, a polpa pode apresentar alterações, mas não há os túneis internos característicos da broca.

Armadilhas ajudam a acompanhar a atividade dos adultos

As armadilhas utilizadas para a broca-do-café, geralmente no formato de garrafa ou pote com atrativo alcoólico, são ferramentas para acompanhar a dinâmica dos adultos durante a entressafra.

Entre outubro e abril, elas podem indicar se ainda existem adultos ativos na área, identificar picos de voo associados a mudanças de umidade, temperatura e chuvas e ajudar a localizar talhões com maior pressão da praga.

A instalação deve considerar pontos representativos dos talhões, principalmente áreas com histórico de alta infestação ou maior quantidade de frutos remanescentes.

As armadilhas devem ser fixadas próximas à altura média da saia do cafeeiro ou ligeiramente acima. A leitura pode ser realizada em intervalos regulares, como semanalmente, com registro do número de brocas capturadas em cada armadilha.

Mais importante do que uma captura isolada é acompanhar a tendência ao longo do tempo. Reduções progressivas podem indicar queda da população, enquanto níveis elevados ou crescentes exigem maior atenção aos frutos remanescentes.

Amostragem mostra a presença da broca nos frutos

As armadilhas indicam a atividade dos adultos em voo, mas a amostragem dos frutos permite avaliar a infestação presente dentro da lavoura. O procedimento deve começar logo após o fim da colheita e ser repetido em intervalos regulares, como mensalmente, até o início da próxima safra de frutos verdes.

A avaliação precisa considerar tanto os frutos ainda presos às plantas quanto aqueles caídos no solo. A atenção deve ser maior em áreas com histórico de alta infestação. Para realizar a amostragem, primeiro é necessário delimitar os talhões de acordo com características como idade das plantas, variedade e manejo.

Depois, devem ser selecionadas plantas representativas, percorrendo a área em zigue-zague para reduzir possíveis distorções na coleta.

Em cada planta, podem ser coletados frutos remanescentes de uma parte da copa, como um ou dois ramos produtivos por quadrante, além de uma quantidade definida de frutos caídos sob a projeção da copa.

Os frutos coletados devem ser reunidos e contabilizados. Em seguida, aqueles com suspeita de ataque são separados e abertos para confirmação.

O principal resultado é a porcentagem de frutos remanescentes brocados em cada talhão. Esse índice deve ser registrado ao longo dos meses para permitir a comparação da evolução da infestação.

Como interpretar os resultados do monitoramento

Os dados das armadilhas e das amostragens precisam ser analisados em conjunto. As armadilhas mostram a atividade dos adultos em voo, indicando o risco de reinfestação dos novos frutos quando eles estiverem disponíveis. Já a avaliação dos frutos revela a reserva de brocas presente na lavoura.

Baixas capturas nas armadilhas combinadas com uma pequena porcentagem de frutos remanescentes brocados indicam uma condição mais favorável na entressafra.

Por outro lado, capturas elevadas associadas a uma alta porcentagem de frutos brocados indicam a necessidade de maior atenção ao manejo cultural, à retirada de frutos remanescentes e à próxima colheita.

Esses dados também ajudam a identificar os talhões que concentram maior pressão da praga e que, portanto, precisam de acompanhamento mais próximo.

O monitoramento não substitui a recomendação individual de controle químico ou biológico. Essas decisões devem considerar outros fatores e seguir bula e receituário agronômico.

Manejo da lavoura deve começar ainda na entressafra

A redução das fontes de infestação é uma das medidas importantes no pós-colheita. Quanto menor a quantidade de frutos deixados na planta ou no solo, menor é a disponibilidade de abrigo para a broca.

A realização de repasse e varrição também pode ser considerada, especialmente em áreas que apresentam histórico de altas infestações.

O controle de plantas daninhas facilita a visualização e a coleta dos frutos caídos, além de favorecer a circulação na lavoura durante as inspeções e amostragens.

Essas práticas devem fazer parte do manejo integrado de pragas, que combina monitoramento e controle cultural e, quando indicado e autorizado, métodos biológicos e químicos.

Cuidados devem orientar qualquer decisão de controle

Durante o pós-colheita, o foco principal é identificar e monitorar a broca-do-café. Quando houver necessidade de controle, os produtos utilizados devem estar registrados para a finalidade e ser aplicados conforme rótulo e bula.

As decisões também devem ser baseadas em receituário agronômico emitido por engenheiro ou engenheira agrônoma habilitado.

Nas operações que envolvam produtos químicos ou biológicos, é necessário utilizar corretamente os equipamentos de proteção individual.

Também devem ser consideradas as boas práticas agrícolas, incluindo a proteção de polinizadores, corpos d’água e das pessoas que trabalham na lavoura.

Referências técnicas

As informações apresentadas no material original são baseadas em publicações técnicas de instituições brasileiras de pesquisa e extensão rural, incluindo trabalhos de EPAMIG, Embrapa Café e UFLA.

Entre as referências indicadas estão Broca-do-café: monitoramento e controle, de O. Brunini, P. R. Reis, J. C. Souza e G. A. Carvalho; Manual de manejo de pragas do cafeeiro, da Embrapa Café; Café: produtividade com sustentabilidade, de J. B. Matiello et al.; e Pragas do cafeeiro: controle integrado, de P. R. Reis e J. C. Souza.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro ou engenheira agrônoma em condições reais de campo.

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