Cerca de 500 representantes da cadeia produtiva da soja participaram, na quarta-feira (10), da abertura da 40ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS), realizada em Londrina (PR). O encontro reúne pesquisadores, consultores, empresas e lideranças do setor para discutir temas que vão desde os impactos das mudanças climáticas até os desafios de mercado e as perspectivas para a sojicultura brasileira.
Presidente da RPS, Liliane Henning: “Diante de um cenário dinâmico, precisamos responder quais as inovações disruptivas vão impactar o dia a dia da lavoura e como podemos acelerar a transferência de tecnologia para o campo” – Foto: Lebna Landgraf
A solenidade contou com a participação da chefe de Pesquisa da Embrapa Soja, Roberta Carnevalli, representando o chefe-geral da unidade, Alexandre Nepomuceno, e da presidente da RPS, Liliane Henning.
Ao abrir o evento, Liliane destacou a necessidade de acelerar a geração e a transferência de conhecimento diante das transformações que vêm ocorrendo no setor. “Diante de um cenário dinâmico, precisamos responder quais as inovações disruptivas vão impactar o dia a dia da lavoura e como podemos acelerar a transferência de tecnologia para o campo”, enfatizou.
Segundo ela, a busca por soluções para os desafios da cadeia produtiva segue como um dos principais objetivos do fórum. “Encontrar respostas para os desafios dessa cadeia produtiva é o que as lideranças que participam deste fórum almejam. Juntos, queremos construir uma agenda de sustentabilidade e produtividade, garantindo maior segurança para superar as adversidades do complexo soja”, acrescentou.
Mudanças climáticas
Um dos destaques da abertura foi o lançamento da publicação Tópicos Agronômicos sobre Enfrentamento da Seca na
Foto: RRRufino/Embrapa Soja
Soja (Série Documentos 486), elaborada pelos pesquisadores José Salvador Foloni, Liliane Henning, José Renato Farias e Luis Crusiol.
O material reúne informações técnicas e recomendações voltadas ao aumento da resiliência da cultura diante da crescente variabilidade climática observada em diferentes regiões produtoras do país.
Segundo José Renato Farias, os efeitos das adversidades climáticas já exigem respostas mais rápidas da pesquisa e do setor produtivo. “As adversidades climáticas vêm impactando a agricultura brasileira e exigem ações imediatas para aumentar a resiliência do setor. Inclusive, áreas tradicionalmente estáveis começam a sofrer os efeitos da variabilidade climática”, observou.
Foto: Divulgação
De acordo com o pesquisador, a publicação foi construída a partir das contribuições de diversos especialistas e busca apoiar produtores na adoção de práticas mais adequadas ao novo cenário climático. “Para enfrentar esse cenário, a publicação reúne contribuições de diversos pesquisadores e busca orientar produtores na adoção de práticas mais adaptadas às novas condições climáticas”, ressaltou.
Pressão sobre preços exige mais gestão de risco
A programação também abriu espaço para discussões sobre mercado. A palestra “Riscos e Oportunidades de Mercado”, ministrada pelo consultor Ismael Menezes, da MD Commodities, abordou os impactos da atual conjuntura internacional sobre a rentabilidade da produção.
Segundo Menezes, o mercado global atravessa um período de aumento da oferta de grãos sem crescimento
Foto: Divulgação
proporcional do consumo, cenário que tem pressionado os preços e reduzido as margens dos produtores. “A margem de lucro dos produtores ficou mais estreita. Diante desse contexto, o agricultor precisa adotar uma postura ágil para aproveitar as janelas de oportunidade que surgirem, seja por meio das oscilações cambiais, com a alta do dólar, ou de repiques de alta na Bolsa de Chicago”, afirmou.
O consultor também chamou atenção para a necessidade de aprimorar a comercialização da produção, área que, segundo ele, ainda representa um desafio para parte dos produtores brasileiros.
Embora o país seja referência mundial em produtividade e eficiência dentro da porteira, Menezes avalia que decisões relacionadas à venda dos grãos continuam impactando os resultados econômicos das propriedades. “A gestão de risco e a comercialização estratégica deixaram de ser apenas um diferencial e passaram a ser fatores obrigatórios para garantir a sobrevivência financeira da atividade no cenário atual”, alertou.
Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
Pesquisa e setor produtivo
A 40ª Reunião de Pesquisa de Soja prosseguiu com uma programação que incluiu sessões plenárias, 12 painéis temáticos e um workshop dedicado ao Manejo Integrado de Pragas (MIP-Soja).
O evento recebeu 95 trabalhos técnicos, apresentados na forma de resumos expandidos, que serão publicados em versão digital. Além da programação científica, 17 empresas e instituições parceiras participaram da área de exposição, apresentando tecnologias, serviços e soluções voltadas à cadeia produtiva da soja.
Para a Embrapa Soja, a reunião continua sendo um dos principais espaços de discussão técnica da cultura no país, reunindo pesquisa, setor produtivo e indústria em torno dos desafios que influenciam a produtividade e a competitividade da sojicultura brasileira.c
