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Café: monitoramento da broca deve começar antes da pré-colheita

A broca-do-café exige monitoramento constante durante o florescimento, a frutificação e a maturação dos frutos. Entre setembro e junho, a presença de frutos em diferentes estádios favorece o desenvolvimento da praga, que pode reduzir o peso dos grãos, aumentar a queda de frutos e comprometer a qualidade da bebida.

Nas principais regiões produtoras, como partes da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo, o acompanhamento da infestação deve considerar o estágio dos frutos, as condições climáticas e o histórico de cada talhão. Segundo dados divulgados pelas referências técnicas apresentadas no conteúdo, a identificação precoce é fundamental para definir o momento de intervenção.

A broca-do-café (Hypothenemus hampei) é um pequeno besouro escuro, com cerca de 1,5 a 2,0 milímetros, que perfura o fruto e se desenvolve em seu interior. A fêmea adulta abre galerias e deposita os ovos. Depois da eclosão, as larvas consomem o endosperma, parte que dará origem ao grão de café beneficiado. Segundo dados divulgados pelas referências técnicas apresentadas no conteúdo, o ataque começa a ganhar importância a partir do enchimento dos frutos, quando eles passam pelos estádios de “chumbinho” a verde-canário.

A fêmea normalmente perfura o fruto próximo ao ombro ou na região de contato entre frutos. O desenvolvimento de ovos, larvas e pupas ocorre no interior, dificultando o controle apenas por contato. Com a emergência de novos adultos, a infestação pode se espalhar para outros frutos, principalmente em períodos quentes e úmidos.

Do fim do inverno ao outono seguinte, o cafeeiro passa por diferentes fases, desde o florescimento e formação dos chumbinhos até o enchimento dos grãos e a maturação. Em lavouras com floradas escalonadas ou irrigadas, frutos em diferentes estádios podem permanecer simultaneamente nas plantas. Esse cenário favorece a permanência da broca no talhão. Frutos remanescentes após a colheita também merecem atenção. Eles podem servir de abrigo e fonte inicial de infestação para a safra seguinte. Por isso, deixar frutos brocados na planta ou no chão pode contribuir para manter a população da praga de um ciclo para outro.

O ataque da broca-do-café reduz a massa dos grãos porque as larvas se alimentam do endosperma. Com isso, a produtividade efetiva por hectare pode ser comprometida. Frutos muito atacados também podem cair antes da colheita, aumentando a necessidade de varrição e elevando os custos da operação. Outro impacto ocorre sobre a qualidade. Frutos brocados podem apresentar fermentação indesejada, gerar defeitos sensoriais e desvalorizar o lote.

O aumento de frutos danificados também pode elevar o índice de defeitos na classificação oficial, com possibilidade de rebaixamento do tipo e do valor de venda.

O monitoramento deve combinar inspeção visual dos frutos, amostragem sistemática e, quando indicado, armadilhas com atrativo alcoólico para acompanhar a população adulta. A lavoura deve ser dividida em talhões relativamente homogêneos, considerando idade, cultivar, sistema de cultivo e histórico de infestação.

Os pontos de amostragem precisam ser distribuídos em zigue-zague, incluindo bordaduras e interior do talhão. Manter o mesmo critério durante a safra permite acompanhar a evolução da infestação. Em cada planta, devem ser observados ramos produtivos em diferentes alturas. Os frutos sadios e brocados devem ser contabilizados separadamente. O objetivo é estimar a porcentagem de frutos brocados por planta ou talhão e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.

Os frutos brocados normalmente apresentam um pequeno orifício circular e escuro na casca. A perfuração costuma aparecer próxima ao ombro do fruto ou entre frutos que estejam encostados. Nos frutos mais desenvolvidos, a presença de serragem escura na abertura pode indicar atividade interna.

É necessário diferenciar esses sinais de danos mecânicos ou causados por outras pragas. Quando houver dúvida, alguns frutos suspeitos podem ser abertos para verificar a presença de galerias, larvas ou adultos.

Armadilhas com atrativo alcoólico, utilizando misturas de etanol e metanol conforme proporções definidas em pesquisa, podem complementar a inspeção dos frutos. As armadilhas devem ser distribuídas no talhão em altura compatível com a copa dos cafeeiros. A contagem periódica das brocas capturadas permite comparar a dinâmica dos adultos com a infestação observada nos frutos. Esse recurso não substitui a amostragem dos frutos, mas pode ajudar na identificação de períodos de maior atividade e risco de ataque.

Entre setembro e novembro, durante o florescimento e o pegamento dos chumbinhos, o produtor deve iniciar as inspeções e verificar a presença de frutos remanescentes brocados do ciclo anterior.

Na frutificação, entre dezembro e março, o acompanhamento precisa ser intensificado. Em áreas com histórico de alta infestação, as avaliações podem ser semanais ou quinzenais.

Já entre abril e junho, durante a maturação e a pré-colheita, as avaliações devem continuar frequentes, porque a praga pode migrar para frutos em processo de amadurecimento.

Em lavouras com floradas escalonadas ou ciclos produtivos diferenciados, diferentes estádios podem ocorrer simultaneamente, exigindo acompanhamento praticamente durante todo o ano.

A decisão de controle deve considerar o percentual de frutos brocados, o estádio de desenvolvimento dos frutos, as condições climáticas e o histórico de cada área.

Também é importante observar se a infestação está aumentando entre uma avaliação e outra e se o percentual de frutos danificados se aproxima de níveis economicamente preocupantes para a região. Outro ponto é verificar quanto tempo falta para a colheita e se ainda existe possibilidade de novas gerações causarem danos significativos.

Segundo dados divulgados pelas referências técnicas apresentadas no conteúdo, as medidas de controle devem ser definidas com base no monitoramento e em receituário agronômico, podendo envolver produtos registrados, agentes biológicos e práticas culturais.

A colheita bem-feita é uma das medidas para reduzir a quantidade de frutos remanescentes na planta e no chão. A varrição e o repasse também são importantes, especialmente nos talhões com histórico de alta infestação. Podas de formação e renovação podem contribuir para manter uma arquitetura que facilite a colheita e reduza a quantidade de frutos que permanecem inacessíveis.

O controle integrado com agentes biológicos, incluindo fungos entomopatogênicos e outros organismos quando recomendado, pode complementar as estratégias químicas e culturais. Quanto menor o estoque de brocas nos frutos remanescentes, menor tende a ser a fonte inicial de infestação na safra seguinte.

Qualquer aplicação de inseticidas ou outros produtos destinados ao controle da broca-do-café deve seguir a bula, a legislação vigente e o receituário agronômico. Também devem ser respeitados os equipamentos de proteção individual, períodos de carência, doses, volumes de calda e recomendações de tecnologia de aplicação.

O registro das operações contribui para a rastreabilidade das atividades realizadas na lavoura.A decisão sobre o controle, o produto e o momento de aplicação deve considerar os resultados do monitoramento e as condições específicas do talhão.

Checklist para acompanhar a broca-do-café

  • Divida a propriedade em talhões homogêneos e estabeleça pontos fixos de amostragem.
  • Comece a inspeção dos frutos a partir do pegamento dos chumbinhos.
  • Registre a porcentagem de frutos brocados por planta e talhão.
  • Utilize armadilhas alcoólicas como ferramenta complementar quando indicado.
  • Aumente a frequência das avaliações durante o enchimento e a maturação.
  • Acompanhe se a infestação está estável, aumentando ou diminuindo.
  • Integre o monitoramento à colheita, à varrição e ao manejo dos frutos remanescentes.
  • Consulte um engenheiro agrônomo antes de definir medidas de controle.

O monitoramento da broca-do-café não deve ficar restrito à pré-colheita. O acompanhamento contínuo desde o florescimento até a maturação permite identificar mudanças na infestação e antecipar decisões antes que os danos comprometam produtividade e qualidade.

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