
O plantio de arroz irrigado no Rio Grande do Sul alcançou aproximadamente um terço da área prevista para a safra 2026/27, mas enfrenta dificuldades devido às chuvas volumosas das últimas semanas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (8), o excesso de umidade prejudica o preparo do solo, provoca alagamentos e pode comprometer a área cultivada no estado.
O avanço do plantio ocorre em ritmos diferentes entre as regiões produtoras. A semeadura está mais adiantada na Fronteira Oeste e no Sul, enquanto as chuvas restringem os trabalhos especialmente na Região Central e no Litoral.
Além de dificultar as operações no campo, o excesso hídrico provocou alagamentos, danos em taipas e problemas no estabelecimento inicial das lavouras já semeadas. Em áreas de várzea próximas a cursos d’água, as inundações aumentam a preocupação com a continuidade do plantio e a manutenção da área prevista para o ciclo.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a área projetada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) para a safra 2026/2027 é de 861.779 hectares. A produtividade inicial estimada pela entidade é de 8.741 quilos por hectare.
Na região administrativa de Bagé, a semeadura perdeu intensidade, mas se aproxima de 50% da área prevista. Na Fronteira Oeste, os trabalhos estão mais avançados em diversos municípios. Em Itaqui, o plantio alcançou 73% da área estimada. Em Uruguaiana e Maçambará, o índice é de 70%; em Quaraí, 69%; em Barra do Quaraí, 67%; e em Alegrete, 61%.
Apesar do avanço, os alagamentos podem comprometer o estabelecimento e o desenvolvimento inicial das plantas em algumas áreas. Em São Gabriel, o excesso de umidade limita a semeadura, enquanto as chuvas intensas danificaram taipas, exigindo reparos, e prejudicaram o estande das poucas lavouras já implantadas. Na Região da Campanha, o plantio avança de forma mais restrita. Em Dom Pedrito, a semeadura alcança 12% da área prevista; em Aceguá, o percentual está em torno de 5%.
Na região administrativa de Pelotas, a semeadura chegou a 39% da área estimada. As lavouras implantadas estão em desenvolvimento vegetativo, e as condições meteorológicas permitiram a continuidade dos trabalhos. Já na região de Santa Maria, a área plantada permanece próxima de 10% do total inicialmente previsto. Em Dona Francisca, 60 hectares semeados no sistema pré-germinado continuam alagados devido à elevação e ao transbordamento do Rio Jacuí, que ainda apresenta nível elevado. A inundação de áreas de várzea e a previsão de novas chuvas aumentam a preocupação dos produtores e podem levar à redução da área cultivada na região.
Em Soledade, as operações também seguem lentas, tanto nas áreas destinadas ao sistema pré-germinado quanto naquelas conduzidas com semeadura em solo seco. A área semeada alcança 8% do total previsto, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar.
Além das dificuldades no campo, o preço médio do arroz em casca apresentou leve queda no estado. Segundo o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar, o valor da saca de 50 quilos recuou 0,25%. O preço médio passou de R$ 80,89 para R$ 80,69, uma redução de R$ 0,20 por saca.
