
A lagarta enroladeira da soy (Hedylepta indicata) pode causar danos às lavouras quando não é identificada e monitorada com frequência. Entre outubro e março, período crítico da cultura em regiões como BA, GO, MS, MT, PR e RS, reconhecer os primeiros sinais ajuda o produtor a avaliar a necessidade de manejo.
A lagarta enroladeira das folhas é a fase larval de uma mariposa da família Crambidae. Na soja, Hedylepta indicata se alimenta das folhas e utiliza o próprio limbo foliar como abrigo.
Para isso, a lagarta enrola partes da folha e as prende com fios de seda. Dentro desse abrigo, é possível encontrar a própria lagarta, teias finas e fezes. O principal dano ocorre por meio de raspagens e consumo do tecido foliar, o que pode reduzir a área disponível para a fotossíntese. A praga costuma ser encontrada com maior frequência nas folhas dos terços médio e superior das plantas.
O sintoma mais característico é o enrolamento das folhas. Em ataques iniciais, a alteração pode ser discreta, com apenas uma borda lateral dobrada e presa por fios quase transparentes.
Outro sinal é a presença de raspagens superficiais no limbo foliar. Nas fases jovens, a lagarta pode remover a epiderme e deixar áreas mais claras ou translúcidas, semelhantes a uma janela.
Com o avanço do ataque, também podem surgir perfurações e áreas maiores de consumo. Ao abrir cuidadosamente uma folha enrolada, o produtor pode encontrar a lagarta protegida no interior, além de teia e grânulos escuros de fezes.
O hábito de enrolar as folhas é uma das principais características que ajudam a diferenciar Hedylepta indicata de outras lagartas desfolhadoras.
Espécies como Anticarsia gemmatalis, conhecida como lagarta-da-soja, e Chrysodeixis includens, a falsa-medideira, geralmente permanecem mais expostas sobre as folhas. Já a lagarta enroladeira tende a permanecer escondida dentro do abrigo formado pela própria folha e pelos fios de seda.
O comportamento também pode ajudar na identificação. Ao abrir a folha enrolada ou movimentar a planta, a lagarta enroladeira tende a permanecer no abrigo ou se esconder entre as dobras. Outras lagartas podem se soltar, cair ou se movimentar rapidamente pela superfície das folhas.
O ciclo de Hedylepta indicata começa com a postura de ovos sobre folhas ou hastes. Essa fase é considerada difícil de observar durante as inspeções de rotina. Após a eclosão, a lagarta jovem faz pequenas raspagens no tecido foliar, muitas vezes na face inferior da folha.
À medida que cresce, aumenta o consumo e passa a enrolar as folhas com fios de seda, formando um abrigo onde se alimenta e se protege. A fase de pupa ocorre geralmente dentro da folha enrolada ou em restos vegetais com teia. Na fase adulta, a mariposa realiza a dispersão e a postura dos ovos. Para o monitoramento no campo, as fases mais importantes são as lagartas jovens e médias, além dos sintomas observados nas folhas.
Entre outubro e março, as inspeções devem ser intensificadas, principalmente durante as fases vegetativa e inicial do período reprodutivo da soja. Em condições de clima quente e com histórico da praga na área ou na região, a recomendação apresentada no conteúdo é realizar vistorias semanais durante a fase vegetativa. Quando forem identificados sintomas característicos, como folhas enroladas com teia, o intervalo entre as amostragens pode ser reduzido.
Para obter uma amostragem representativa, o produtor pode percorrer o talhão em zigue-zague ou em formato de “W”. Em cada ponto, devem ser avaliadas plantas em busca de folhas enroladas, bordas dobradas, folhas torcidas e presença de teia.
A inspeção do terço médio e superior das plantas ajuda a localizar os abrigos. Folhas com aparência diferente do restante da lavoura devem ser examinadas com cuidado. A folha enrolada deve ser aberta lentamente para verificar a presença de lagarta, teia e fezes.
Também é importante registrar o número de lagartas encontradas em relação ao total de plantas avaliadas. O acompanhamento pode ser feito em caderno de campo ou aplicativo, com informações como data, estádio da soja, número de plantas inspecionadas, quantidade de plantas com sintomas e número de lagartas encontradas.
O período entre outubro e março, marcado por condições mais quentes e úmidas, pode favorecer o desenvolvimento da praga e da cultura. O histórico de ocorrência na área ou em propriedades próximas também deve ser considerado, assim como a presença de plantas hospedeiras alternativas nas bordas dos talhões ou em áreas adjacentes.
Outro fator é o uso de inseticidas não seletivos, que pode reduzir populações de inimigos naturais e facilitar o aumento da praga. A ausência de monitoramento sistemático também dificulta a identificação da lagarta enquanto ela permanece protegida no interior das folhas.
A identificação antecipada permite avaliar a densidade de lagartas e a evolução dos danos antes que a população atinja níveis que possam comprometer a área foliar. Entre os fatores que devem ser considerados estão o percentual de plantas com folhas enroladas, a densidade de lagartas, o estádio de desenvolvimento da cultura e a presença de inimigos naturais.
As condições climáticas atuais e previstas também devem fazer parte da avaliação, pois podem favorecer ou limitar o avanço das lagartas. A definição do momento de intervenção e a escolha da estratégia de controle devem seguir recomendações técnicas regionais, além de rótulo, bula, receituário agronômico e orientação de profissional habilitado.
Na prática, o produtor deve observar se existem folhas enroladas ou dobradas, principalmente nos terços médio e superior das plantas. Ao abrir as folhas, é importante procurar lagartas, teias finas e fezes no interior do abrigo. Raspagens, áreas translúcidas e pequenas perfurações também ajudam a identificar a presença da praga. O registro da quantidade de plantas afetadas e de lagartas encontradas permite acompanhar a evolução do problema entre uma vistoria e outra. A presença de inimigos naturais também deve ser observada antes da tomada de decisão sobre o manejo.
A identificação da lagarta enroladeira é uma etapa do manejo fitossanitário, mas não substitui a avaliação técnica para definir quando e como agir. A escolha de produtos e estratégias de controle deve respeitar rótulo, bula, receituário agronômico e orientação de engenheiro ou engenheira agrônoma. O uso de equipamentos de proteção individual, o cumprimento das normas ambientais e o respeito à legislação vigente também fazem parte das boas práticas agrícolas.
