
The harvest of coffee em lavouras novas exige cuidados específicos para evitar danos que podem comprometer a produção dos anos seguintes. Entre maio e setembro, período de maior concentração da colheita nas principais regiões cafeeiras brasileiras, produtores devem adaptar o manejo para reduzir quebra de ramos, desfolha intensa e arrancamento de plantas.
Lavouras que produzem pela primeira ou segunda vez ainda estão em formação de copa, com sistema radicular em expansão e arquitetura dos ramos produtivos não totalmente estabilizada. Por isso, o cafezal é mais sensível ao esforço da derriça, à vibração das máquinas e ao trânsito de pessoas e equipamentos entre as linhas.
Entre os principais riscos estão o uso da mesma intensidade de derriça adotada em lavouras adultas, o posicionamento inadequado de panos ou lonas, a regulagem incorreta de derriçadoras e colhedoras e a falta de planejamento para o acesso das equipes. Essas situações podem provocar quebra de ramos, compactação do solo e danos às raízes superficiais.
Em uma lavoura nova, cada ramo quebrado representa perda de área produtiva para as safras seguintes. Por isso, a colheita precisa ser tratada como parte do manejo de formação do cafezal, e não apenas como uma etapa de retirada dos frutos.
O manejo deve considerar a idade das plantas, o número de safras já colhidas, a arquitetura da copa, o espaçamento, o número de hastes por planta e as podas realizadas anteriormente. Também é necessário observar as condições do solo, como umidade, compactação e declividade, além do nível de mecanização disponível na propriedade.
O objetivo é retirar os frutos com a menor agressão possível à planta, preservando as gemas que darão origem à próxima florada, os ramos plagiotrópicos, responsáveis pela produção lateral, os ramos ortotrópicos, que definem a arquitetura da copa, e o sistema radicular superficial.
Os danos provocados durante a colheita podem se acumular ao longo dos ciclos. Quebras de ramos, arrancamento de plantas e desfolha severa podem reduzir o número de ramos produtivos na safra seguinte e diminuir a quantidade de nós produtivos por ramo.
Também podem aumentar a necessidade de podas corretivas precoces, atrasar a entrada da lavoura em plena produção e provocar desuniformidade dentro do talhão. Plantas mais danificadas podem apresentar menor produtividade e maturação irregular nos anos seguintes.
A menor área foliar também pode aumentar a suscetibilidade a estresses hídricos e bióticos, enquanto feridas provocadas durante a colheita podem dificultar a recuperação das plantas. Esses efeitos ainda podem elevar os custos com replantio, podas de formação e reequilíbrio da lavoura.
Nas principais regiões produtoras de café arábica e conilon, a colheita ocorre predominantemente entre maio e setembro. Em lavouras novas, o momento de entrada deve equilibrar o estágio de maturação dos frutos com a necessidade de preservar a estrutura das plantas.
Uma das referências é avaliar o percentual de frutos maduros em ramos representativos do talhão. A recomendação é evitar a colheita muito antecipada, quando há grande quantidade de frutos verdes, pois a derriça tende a exigir maior força e pode aumentar o risco de danos.
Também é preciso evitar atrasos excessivos. Quando predominam frutos secos e passa, eles podem se desprender facilmente, mas a planta pode sofrer maior queda de folhas ao mínimo toque quando estiver sob estresse hídrico ou exposta a ventos fortes.
A previsão de chuva também deve entrar no planejamento, principalmente para reduzir o risco de compactação do solo em lavouras novas, cujo sistema radicular ainda está em estabelecimento.
Como referência, a colheita pode ser realizada quando a maioria dos frutos está nos estádios cereja e passa, com menor proporção de frutos verdes. Essa condição facilita a derriça com menor esforço e reduz o risco de danos aos ramos e às gemas.
A escolha do método de colheita depende da idade, do vigor das plantas e da infraestrutura disponível. Nas duas primeiras safras, a colheita manual com pano e derriça manual geralmente permite maior controle sobre a intensidade do trabalho e sobre a força aplicada nos ramos mais tenros.
Na colheita manual, os movimentos devem ser delicados, evitando torções bruscas. O apoio das mãos deve permanecer próximo ao ramo para diminuir o efeito de alavanca que pode provocar quebra em sua base. Também é recomendado evitar puxar o ramo para baixo e acompanhar sua disposição natural durante a derriça.
Panos bem ajustados ao pé das plantas ajudam a reduzir a necessidade de arrastar frutos pelo solo e, consequentemente, o pisoteio das raízes superficiais. O número de pessoas por linha também deve ser controlado para limitar o tráfego entre as plantas jovens.
A colheita semimecanizada, com derriçadoras costais ou portáteis, pode ser utilizada em lavouras jovens desde que a equipe seja treinada e os equipamentos estejam corretamente regulados. As varetas ou hastes vibratórias devem trabalhar com menor rotação e menor pressão sobre os ramos.
O equipamento não deve ser apoiado sobre ramos finos ou próximo à base de brotações novas, onde há maior risco de estrangulamento ou quebra.
Já a colheita mecanizada exige maior cautela em cafezais novos. Em muitos casos, a utilização de colhedoras automotrizes ou de arrasto é mais indicada quando as plantas apresentam arquitetura e enfolhamento suficientes para suportar o impacto da operação.
A regulagem deve considerar a velocidade de deslocamento, a frequência de vibração e a configuração das hastes derriçadoras. Em talhões novos, passadas mais suaves podem ser adotadas, mesmo que isso resulte na permanência de uma pequena quantidade de frutos na planta, desde que a estratégia contribua para protegê-la.
Nas derriçadoras portáteis, a rotação e a intensidade da vibração devem ser reduzidas em relação ao manejo utilizado em lavouras adultas. O comprimento das hastes precisa ser compatível com o porte das plantas, evitando atingir ramos novos e finos no topo da copa.
A forma de contato da haste com o ramo também merece atenção. A preferência deve ser pela região com madeira mais firme, evitando as extremidades mais tenras. Paradas periódicas permitem verificar aquecimento excessivo ou vibração anormal, sinais que podem indicar regulagem inadequada ou desgaste de componentes.
O trânsito de pessoas, sacarias, equipamentos e máquinas também precisa ser organizado durante a colheita. Em lavouras novas, o objetivo é preservar o sistema radicular em formação e evitar danos mecânicos ao colo das plantas.
Corredores de circulação nas entrelinhas ajudam a reduzir o pisoteio próximo ao tronco. Em solos mais úmidos, é necessário diminuir o número de passadas próximas ao pé do cafeeiro para prevenir a compactação localizada.
Pontos de depósito temporário de sacas ou montes de frutos devem ser planejados longe das plantas jovens. No caso de tratores e implementos, as larguras de rodado e os alinhamentos precisam ser respeitados para evitar contato com plantas e tutoramentos, quando houver.
Depois da colheita, a lavoura nova deve ser avaliada visualmente. Plantas com danos severos em ramos principais ou quebras de hastes podem exigir programação de podas de formação.
A desfolha acentuada também precisa ser observada, pois pode indicar intensidade excessiva da colheita ou que a planta já estava debilitada. Plantas muito danificadas ou mortas devem ser avaliadas quanto à necessidade de replantio.
O registro dos pontos com maior ocorrência de danos ajuda a ajustar o manejo na safra seguinte, seja pela redução do número de colhedores por linha, seja pela alteração da intensidade de uso das máquinas.
Após a colheita, o manejo de nutrição e solo também deve considerar o estado das plantas. Cafezais que sofreram maior estresse podem demandar atenção especial ao equilíbrio nutricional e ao controle de pragas e doenças.
A colheita ainda precisa estar integrada às demais práticas de formação da lavoura. A poda de formação define a altura e a arquitetura das plantas, enquanto o manejo de sombreamento, quando utilizado, pode influenciar a distribuição dos ramos e a resistência mecânica.
Irrigação e nutrição também interferem no vigor, no diâmetro dos ramos e na capacidade de suporte aos esforços da colheita. Já o controle de plantas daninhas e a conservação do solo ajudam a reduzir riscos de erosão e escorregamento de trabalhadores e máquinas.
O conjunto dessas práticas permite tornar a colheita mais eficiente e menos agressiva à medida que o cafezal avança pelos ciclos produtivos.
Quando houver utilização de máquinas portáteis ou colhedoras, também é necessário seguir as normas de segurança, utilizar equipamentos de proteção individual adequados e treinar as equipes para o manuseio correto dos equipamentos e para a movimentação no talhão, principalmente em áreas declivosas.
As recomendações e os manuais dos fabricantes de derriçadoras e colhedoras devem ser seguidos, respeitando os limites de uso e as necessidades de manutenção preventiva.
A adoção das práticas de manejo deve ser ajustada às condições específicas de cada propriedade e contar com acompanhamento de engenheiro(a) agrônomo(a). O conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação profissional em condições reais de campo.
