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Beans: Rain could bring forward harvest decision.

The harvest of bean exige atenção redobrada em lavouras com maturação desuniforme, situação em que plantas e vagens atingem o ponto ideal em momentos diferentes. A decisão sobre quando iniciar o arranquio precisa equilibrar o risco de debulha natural, a presença de grãos verdes e os possíveis danos durante a trilha, preservando produtividade, qualidade e valor comercial.

A maturação desuniforme pode ocorrer em diferentes regiões e épocas de plantio, de janeiro a dezembro, tanto em sistemas de colheita manual quanto mecanizada. Nesse cenário, o produtor precisa avaliar a lavoura por diferentes pontos antes de definir a entrada para a colheita.

Entre as causas estão a semeadura irregular, diferenças de fertilidade e umidade do solo, ocorrência localizada de pragas e doenças, períodos de veranico seguidos por chuvas e mistura de cultivares ou lotes de sementes com ciclos diferentes. Também podem contribuir para o atraso no desenvolvimento o pisoteio, o encharcamento e a compactação em determinadas faixas do talhão.

O resultado é uma lavoura formada simultaneamente por plantas com vagens totalmente secas, plantas no ponto ideal de colheita e outras ainda com vagens verdes.

Para definir o momento do arranquio, o produtor precisa considerar esse conjunto de condições e buscar o ponto que preserve a maior parte da produção sem comprometer a qualidade do lote.

Na prática, um dos principais sinais de maturação é a aparência das plantas e vagens. O ponto de colheita se aproxima quando cerca de 80% a 90% das vagens apresentam coloração de palha, entre amarelada e marrom, sem brilho e sem consistência verde ao toque.

Nesse estágio, as folhas estão praticamente todas caídas ou secas, enquanto a planta apresenta coloração entre amarelada e castanha. A presença de flores e vagens tenras nas pontas dos ramos também deve ser pequena ou inexistente.

A condição dos grãos dentro das vagens é outro indicador. Os grãos devem estar firmes, apresentar a coloração característica da cultivar e não ter aspecto leitoso ou translúcido.

Também é esperado que se soltem facilmente da parede interna da vagem quando ela é aberta manualmente, sem presença de mucilagem ou excesso de umidade interna.

A umidade dos grãos também interfere na decisão. Para o arranquio manual, a faixa geralmente indicada está entre 18% e 22%, permitindo que as plantas sejam retiradas e deixadas em leiras para secagem antes da trilha.

Na colheita mecanizada direta, a umidade costuma ser um pouco menor, de forma a reduzir problemas de empastamento e danos no sistema de trilha, sem permitir que a secagem excessiva provoque intensa debulha na plataforma.

Como a medição exata da umidade nem sempre está disponível no campo, a avaliação visual e os testes simples com vagens e grãos podem auxiliar na decisão. Em áreas desuniformes, porém, essa observação deve ser feita em diferentes pontos da lavoura.

O momento escolhido para a colheita também interfere diretamente nos resultados. Quando o arranquio ocorre muito cedo, com muitas plantas ainda verdes, aumenta a presença de grãos verdes ou imaturos e o risco de problemas após a secagem.

A colheita antecipada também pode provocar maior desuniformidade de umidade no lote, dificultando a secagem e o armazenamento. Além disso, pode aumentar a ocorrência de grãos chochos, quebrados e manchados.

Quando o produtor demora demais, o risco passa a ser a perda de grãos já maduros. Vagens secas podem sofrer debulha natural, principalmente quando são submetidas a ciclos de umedecimento e secagem provocados por chuva e sol.

A permanência prolongada no campo também pode deixar o tegumento dos grãos mais frágil, aumentando a ocorrência de trincas e quebras durante a trilha manual ou mecanizada.

Segundo o conteúdo técnico apresentado, o atraso ainda pode favorecer manchas, grãos ardidos e deterioração provocada por fungos de campo e de armazenamento. Em áreas destinadas à produção de sementes, também pode haver redução do vigor e da viabilidade.

Por isso, em uma lavoura com maturação desuniforme, a decisão tende a priorizar a redução das perdas por debulha natural e pela permanência excessiva das plantas maduras no campo.

Isso significa aceitar uma porcentagem controlada de grãos ainda não totalmente maduros, desde que a presença deles não comprometa de forma significativa a classificação do lote.

Antes de iniciar o arranquio, uma alternativa é dividir o talhão em faixas ou áreas internas mais homogêneas, considerando diferenças de solo, histórico de manejo e desenvolvimento das plantas.

Em cada faixa, podem ser selecionados pontos ao acaso para observar entre 10 e 20 plantas. A avaliação deve considerar a proporção de vagens secas, em início de secagem e ainda verdes ou tenras.

Também é importante identificar manchas com atraso de desenvolvimento, que podem eventualmente ser manejadas em um momento diferente do restante da lavoura.

A partir dessa avaliação, as áreas podem ser classificadas conforme o estágio predominante. As faixas mais maduras apresentam a maioria das plantas com 80% a 90% das vagens secas.

As áreas intermediárias têm maior mistura entre vagens secas e verdes, enquanto as áreas atrasadas apresentam predominância de vagens verdes, flores ou plantas ainda em pleno desenvolvimento vegetativo.

Quando for possível trabalhar por faixas, o arranquio pode começar pelas áreas mais adiantadas. Um dos critérios é que pelo menos 80% das plantas apresentem vagens com coloração de palha, acompanhadas pela queda das folhas na maior parte das plantas.

Outro sinal de atenção é o início da abertura espontânea das vagens mais velhas. Quando esse processo aparece, o risco de debulha natural aumenta e pode justificar o início da operação nas áreas maduras.

A previsão de chuva também deve entrar na decisão. Se houver possibilidade de precipitações durante a fase de colheita, o atraso pode aumentar as perdas e dificultar a retirada das plantas no momento adequado.

Nessas condições, pode ser necessário iniciar o arranquio assim que a maioria das plantas das áreas mais adiantadas atingir visualmente o ponto de colheita, mesmo que uma parte ainda esteja um pouco mais verde.

A estratégia busca evitar que o feijão maduro permaneça no campo e seja submetido a novos ciclos de chuva e secagem, que podem favorecer o reumedecimento dos grãos e a ocorrência de fungos e manchas no tegumento.

Em áreas realmente desuniformes, uma pequena parcela de vagens verdes pode ser tolerada. A decisão depende de verificar se essas vagens representam apenas uma fração limitada da produção e se a retirada das plantas atrasadas compensaria o risco de manter as plantas maduras no campo.

Na colheita manual, o arranquio ligeiramente antecipado pode ser associado à secagem em leiras. As plantas são retiradas antes da abertura espontânea das vagens e permanecem no campo por alguns dias antes da debulha.

O procedimento pode reduzir a debulha natural e permitir uma perda mais uniforme da umidade residual. Em períodos chuvosos, entretanto, as leiras precisam ser manejadas para evitar encharcamento, doenças e apodrecimento.

Nesse sistema, as plantas devem apresentar sinais claros de maturação, como vagens mais firmes, coloração em transição para palha e folhas predominantemente secas ou caídas.

Na colheita manual com trilha posterior, também é necessário considerar a maturação fisiológica dos grãos, a capacidade de uniformizar a secagem em leiras e a disponibilidade de mão de obra.

O planejamento da área permite começar pelas porções mais maduras e avançar gradualmente para as regiões mais atrasadas, reduzindo o risco de perda das plantas que já chegaram ao ponto de colheita.

Na colheita mecanizada, a desuniformidade pode ser ainda mais crítica porque a máquina trabalha com regulagens que precisam atender às condições da área durante a operação.

Nesse caso, o início da colheita deve ser evitado quando ainda houver grande quantidade de plantas verdes, condição que pode dificultar a trilha e aumentar quebras e danos aos grãos.

Em situações de desuniformidade acentuada, o arranquio manual ou mecânico prévio de faixas mais homogêneas pode ser considerado, deixando as áreas claramente atrasadas para um momento posterior.

O problema da maturação irregular também pode ser reduzido nas safras seguintes com ajustes no manejo. A semeadura precisa buscar velocidade adequada, profundidade uniforme e boa distribuição das sementes. A correção e a adubação do solo de maneira uniforme ajudam a reduzir diferenças de fertilidade dentro do talhão. O manejo de irrigação e drenagem também pode evitar encharcamentos ou períodos prolongados de falta de água em determinadas partes da área.

O controle de pragas e doenças no momento correto contribui para evitar a morte prematura de plantas em manchas. A escolha de cultivares adequadas ao ambiente também reduz o risco de misturas com ciclos muito diferentes.

Durante a colheita, a organização da equipe ajuda a evitar o pisoteio excessivo das plantas já arrancadas, reduzindo perdas e danos aos grãos. Também é necessário evitar o armazenamento das plantas arrancadas em pilhas compactas e úmidas por muitos dias, situação que pode favorecer aquecimento e desenvolvimento de fungos.

Quando houver uso de máquinas, operadores devem seguir as normas de segurança e utilizar os equipamentos de proteção individual indicados. O registro das datas de arranquio e trilha, além das condições climáticas observadas durante a colheita, pode ajudar no planejamento das próximas safras.

Assim, a definição do momento de iniciar a colheita do feijão em áreas desuniformes depende de uma avaliação conjunta da maturação, umidade, previsão de chuva e risco de perdas. O principal ponto é evitar tanto a retirada antecipada de uma grande quantidade de plantas verdes quanto a permanência excessiva das plantas maduras no campo.

Em áreas desuniformes, a avaliação por faixas permite identificar onde o arranquio pode começar primeiro. Quando a maior parte das vagens estiver em coloração de palha e as folhas já tiverem caído, o risco de perdas por atraso passa a ganhar importância.

A decisão final deve considerar as condições observadas na lavoura e, sempre que possível, contar com o acompanhamento de um engenheiro agrônomo que conheça a realidade local e as exigências do mercado comprador.

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