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Embora ainda haja divergências em relação ao El Niño que pode acometer a safra 2026/27 do Brasil, algumas projeções para a nova temporada começam a chegar já contabilizando seus efeitos. O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) trouxe, em seu boletim semanal, a produção de soja do estado em 48,88 milhões de toneladas, 5,2% menor do que a 2025/26.
“No entanto, a concretização desse cenário dependerá da intensidade do fenômeno ao longo da safra”, afirmam os especialistas da organização.
Tradicionalmente, o fenômeno climático gera ao estado um risco maior de veranicos e déficit hídrico ao longo do ciclo de produção da oleaginosa, podendo impactar não só o plantio, mas também o desenvolvimento das plantas, a depender de sua duração e de sua intensidade. Insititutos internacionais, como no NOAA – o departamento oficial de clima dos EUA – já confirmaram os sinais de que o El Niño está não só em formação, mas também em processo de intensificação.
“No Brasil, o fenômeno altera a distribuição das chuvas entre as regiões produtoras, favorecendo o acumulado de precipitações no Sul e aumentando sua irregularidade no Centro-Oeste, Norte e Matopiba”, complementa o Imea.
E diante destas previsões, as definições, decisões e estratégias para nova safra brasileira já estão sendo tomadas e redefinidas. “Mais uma safra, mais um ano desafiador para os produtores brasileiros”, afirma o diretor do Incia (Instituto de Ciências Agronômicas), professor Elmar Floss, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio. E entre estas estratégias está, principalmente, a diversificação das variedades de soja que serão escolhidas pelo produtor e a época de plantio de cada uma delas, dissolvendo os riscos e mitigando os efeitos de potenciais adversidades climáticas.
“É interessante o agricultor, além das variedades de ciclos super precoces, utilizar também variedades de ciclos mais longos, ciclos médios. Diante de desafios climáticos é importante sempre diversificar cultivares de diferentes ciclos, e também épocas de semeadura”, orienta o professor Floss. “Infelizmente, a maioria dos produtores sempre olha o clima do ano passado e o clima não se repete. Não se repete mesmo. Temos que parar de olhar no retrovisor e prestar mais atenção ao para-brisa”.
O especialista diz ainda que não há, ao menos por enquanto, nenhuma garantia de que o melhor momento para o plantio será o fim de janela indicada, o que reforça a necessidade da diversificação. “Ao longo dos anos, se for fazer a média depois de cinco anos, quem diversifica tem estabilidade maior na produção”, explica. “A fase mais crítica em que perdemos a soja é a passagem da flor para a vagem. Qualquer stress que a planta passe neste período faz com que a planta tenha um desequilíbrio hormonal e sua autodefesa a faz abortar os órgãos reprodutivos”.
Diante disso tudo, para o produtor em especial do Mato Grosso, que tem nas culturas de sucessão da soja uma parte importante de seu fluxo de caixa e formação de margens, as escolhas de cultivares estão sempre concetradas naquelas cultivares de ciclos um pouco mais curtos.
“Fazer duas safras na mesma área, no mesmo ano, siginifica renda para o produtor, alimenta toda a cadeia econômica, e neste caso os produtores não diversificam para não ter riscos em não fazer a cultura de milho na safrinha. E então, ele tem que colocar na balança estes fatores: aumentar o risco e garantir a safrinha, ou então, naquela área onde ele não vai colocar o milho, vai colocar culturas de cobertura, aí sim dá a ele essa possibilidade de fazer diversificação de diferentes ciclos”, orienta Floss.
