
THE soy registrou valorização expressiva no mercado brasileiro em setembro, impulsionada pela demanda chinesa, pelo avanço das cotações internacionais e pela firmeza das exportações. Em Sorriso, Mato Grosso, o preço médio chegou a R$ 142 por saca, alta de 9,6% em relação a agosto. Apesar da recuperação dos preços, o mercado acompanha a evolução do plantio brasileiro e as condições climáticas para a safra 2026/27.
Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, a valorização também ocorreu na Bolsa de Chicago, onde a média do primeiro vencimento alcançou US$ 13,04 por bushel em setembro, aumento de 8,7% na comparação mensal. O movimento foi sustentado principalmente pelas compras chinesas e pelas expectativas em torno do abastecimento norte-americano.
A China ampliou as aquisições de soja dos Estados Unidos nas semanas anteriores a novas negociações comerciais entre os países. Até o encerramento de setembro, os compromissos de compra da safra norte-americana 2026/27 chegaram a aproximadamente 13 milhões de toneladas, volume equivalente a cerca de metade do compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas indicado para a temporada.
No Brasil, o desempenho das exportações também contribuiu para sustentar as cotações. Os embarques somaram aproximadamente 7,4 milhões de toneladas em setembro. Entre janeiro e setembro, as vendas externas atingiram cerca de 100 milhões de toneladas, crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com destaque para a demanda chinesa.
Enquanto a demanda permaneceu aquecida, a colheita norte-americana apresentou atraso. Até 5 de outubro, os produtores haviam colhido 25% da área cultivada, abaixo da média histórica de 33%. As condições das lavouras também registraram leve deterioração, com 57% classificadas como boas ou excelentes, ante 58% na semana anterior.
Na atualização de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua estimativa de produção norte-americana para 124,1 milhões de toneladas na safra 2026/27. A projeção de produtividade passou de 52,8 para 53,1 bushels por acre. Mesmo com o aumento da previsão de exportações para 46,1 milhões de toneladas, os estoques finais do país foram estimados em 8,6 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de produção em 186 milhões de toneladas, com exportações previstas de 118 milhões de toneladas. No cenário mundial, os estoques finais foram estimados em 124,3 milhões de toneladas, reforçando a perspectiva de oferta elevada durante a temporada.
O plantio brasileiro ganhou velocidade com o retorno das chuvas. Até 9 de outubro, a semeadura havia alcançado 15,6% da área prevista, superando os 11,1% registrados no mesmo período de 2025. Em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os trabalhos avançaram de 10,2% para 33,3% da área em uma semana.
Apesar da recuperação no ritmo de implantação das lavouras, a distribuição irregular das chuvas permanece como fator de atenção. Na avaliação do Itaú BBA, as condições climáticas brasileiras poderão influenciar os próximos movimentos do mercado, especialmente pelo impacto sobre o desenvolvimento da soy e sobre o calendário de implantação do corn and of cotton de segunda safra.
